sexta-feira, 18 de maio de 2018

Quem vai te fazer feliz? [Support]

Support Conversation (Aedan e Elice)
Gênero: Slice of Life;
Tema: Onii-chan e Parque de Diversões
;
Sugestão do leitor: Shadow Balefrost.

Em cerca de dez minutos o navio atracaria no Parque das Conchas, uma ilhota isolada nas proximidades de Myriad entre o Porto das Lulas e a Ilha dos Geckos. Havia uma frota de pequenos barquinhos ancorados na costa, incluindo um enorme cruzeiro repleto de turistas que aproveitavam o feriado prolongado com um programa diferente.
O Capitão Bernard tinha uma encomenda para entregar no porto, mas oferecera de bom grado uma carona a seus amigos. Elice implorara durante semanas para que seu irmão Aedan a levasse para se divertir quando tivesse uma folga, e ele, por sua vez, montara planos que envolviam passar os quatro dias dormindo na rede da varanda, bebendo algo gelado e beliscando alguns petiscos.
— M-mas você prometeu... — Elice disse cabisbaixa quando percebeu que seu irmão não tinha intenções de levá-la.
— Pede pro tio Ralph levar você — respondeu o homem com o rosto coberto por uma revista, sua tática infalível de fingir que estava dormindo só para que ninguém viesse socializar com ele.
A pequena Elice, que não era boba nem nada, foi reclamar para a pessoa certa.
Aedan não tivera nem uma hora de sono quando viu alguém tirar a revista de sua cara para lhe dar uma bronca.
— O senhor fez uma promessa para ela. — Era Doppel, o anfitrião da casa. Todos na Pequena Colina o respeitavam, Doppel nunca se importara de receber visitas nas horas mais inesperadas do dia e aquela casinha distante afastada de todo movimento era um dos poucos lugares onde Aedan encontrava paz. Mas não naquele dia. Ele jogou a revista em sua cara antes de sair para terminar de assar uma lasanha. — Agora cumpra.
Aedan levantou-se resmungando. Além de perder o primeiro dia do feriado, perderia também o delicioso prato de lasanha, e sabe-se lá o que Elice o forçaria a fazer na sexta, sábado e domingo. Quando piscasse os olhos, tinha medo de já estar de volta ao trabalho na segunda.
Sua irmã ficou toda saltitante quando soube da notícia. Arrumadas as mochilas com provisões, os dois seguiram até a costa onde combinaram com o Capitão Bernard, mas um grupo de cinco pessoas já os esperava de malas prontas. Elice deu um salto para abraçar Auria que quase veio ao chão. Nenhum deles estava esperando companhia, mas agora a viagem seria muito mais divertida.
— O que estão fazendo aqui? — perguntou Aedan.
— Doppel mandou a gente vir — respondeu Peter Lee. — Para ficarmos de olho em vocês.
— É, e ele disse que tu ia pagar a entrada — continuou Lesten. — O almoço tá incluso também?
— Não se preocupe, não vamos dar trabalho nenhum — disse Ralph.
Por falta de uma, agora teria que cuidar de outras cinco crianças.

A primeira visão que tiveram do Parque das Conchas era uma gigantesca roda gigante espiralada, como se fosse um amonita dos tempos ancestrais. Era possível enxergar também uma trilha que dava voltas e contornava toda a ilha, seu auge era no topo da montanha que deslizava para uma queda brusca no meio do mar.
Elice puxou a barra da saia de Auria e falou:
— Eu nunca andei de montanha russa... Acho que tenho medo.
— Não se preocupe, querida. Se não quiser, o Ralph fica cuidando de você — respondeu Auria. — Afinal, acho que nenhum dos dois tem altura para entrar.
O garoto nem protestou, pois faria de tudo para não precisar dar uma volta também.
O navio atracou longe da praia, mas Bernard os levou com um bote até a costa. Elice tirou suas sandálias e pisou na areia macia e branquinha, molhando os pés nas ondas que compartilhavam a euforia de sua chegada. Ela olhou para trás e viu seu irmão que ainda parecia desanimado com a experiência, ele era o único de calça jeans debaixo daquele sol forte.
— Tira esses sapatos! Por que veio todo chique assim? Não estamos num encontro — disse a menina.
— Eu só... não estava muito afim de sair hoje — respondeu Aedan.
Ela revelou um sorriso sereno e fez um aceno com as duas mãos.
— Prometo que vai se divertir de montão, tá bom?

Como prometido, Aedan pagou entrada para os cinco intrusos que o acompanhavam. Lesten estava perplexo, pois morara no lado oeste da Ilha dos Geckos desde que fora afastado do exército e sempre tivera uma visão distante do parque de diversões, ter a chance de visitá-lo era como um sonho realizado; Hayley estava ansiosa para ir ao Castelo dos Sonhos com Lee, enquanto Auria não perderia a chance de visitar a roda gigante com Ralph.
Elice estava eufórica para ir em todos os lugares possíveis, pois ao pôr do sol o parque fecharia e aquela terra que lhe parecia tão encantada se tornaria uma mera lembrança.
— Pessoal, é o seguinte, vamos tentar não nos separar — alertou Aedan. — O parque é grande, e como sei que vocês nunca se comportam como seres civilizados, é melhor que...
Quando Aedan se deu conta, não havia mais ninguém ao seu redor.
Ele correu à procura de sua irmã. Se fosse Elice, qual brinquedo visitaria primeiro? Seu palpite era o Castelo dos Sonhos que Hayley mencionara, onde os visitantes podiam andar de barco por um percurso que percorria um trajeto repleto de música, cantoria, brilho e purpurina. O homem respirou fundo e entrou na atração.
Elice já estava dentro de um barquinho de madeira automatizado na companhia de Lee e Hayley. Ela acenou e pediu que ele se apressasse a entrar. As duas estavam encantadas com os efeitos, a administração do parque preparara uma série de bonecos movidos a magia que flutuavam em frente ao público num jogo de luzes e euforia. Enquanto as meninas se divertiam, Lee e Aedan continuavam de braços cruzados no banco de trás.
— O que não fazemos por nossas garotas — comentou Lee.
— Nem me fale.
— Imagino que você tenha tido trabalho para criá-la sozinho. Não é nada fácil se virar no mundo sem os pais, ter que cuidar de outra criança só dificulta as coisas.
— Eu e a Elice temos quase dezoito anos de diferença, então eu já tinha consciência das coisas — respondeu Aedan, olhando para a menina que se divertia no barco da frente. — Mesmo assim, admito que foi como ganhar uma filha.
Aedan estava perdido em pensamentos quando sentiu alguém tocar sua mão. Encontrou-se com o olhar da menina que estava virada para trás apontando para uma linda ave azul que sobrevoava sob suas cabeças.
— Olha, aquela se parece comigo quando me transformo!
A ave atravessou o teto e desapareceu em um punhado de brilho, feito uma ilusão.
— E aquele ali parece você.
Aedan notou o que parecia ser uma cobra animatrônica que deveria cuspir fogo, só que mais se parecia com uma minhoca gigante vesga. Hayley e Lee tentaram esconder o riso, afinal, nunca haviam tido a chance de ver o tótines assumir sua forma mágica.
— Ele não deve ser tão assustador — afirmou Hayley em claro sinal de ironia.
— Pra mim sempre vai ser meu onii-chan! — respondeu Elice, mostrando a língua para ele no banco de trás. — Se não sou eu para alegrar os seus dias, quem seria, né?
Terminada a volta no Castelo dos Sonhos, Aedan seguiu a garota até o carrossel, que ao invés de cavalinhos tinha diferentes monstros do Reino de Sellure. Para sua surpresa, Ralph estava montado em um dragão negro enquanto Lesten corria desesperado ao redor, ambos estavam imersos em uma perseguição incessante, apostando corrida para ver quem era mais rápido. Auria os assistia comendo pipoca no banco ao lado.
— Por que você não brinca também, tia Auria? — perguntou Elice.
— Porque a altura máxima é um metro e sessenta e cinco, só o Ralph consegue — ela riu. — E também já estou sentindo vergonha alheia o suficiente só de ver esses dois brincarem. Por que não vai lá também?
— Mas carrossel parece coisa de criança... — resmungou Elice.
— Bem, o Ralph e o Lesten apostaram que quem desse mais voltas tinha que pagar o almoço do outro. O carrossel pode parecer lento, mas depois de quinze voltas você se sente esgotado — explicou a mulher. — Vá se divertir, e quando voltarmos, seu irmão vai te comprar uma pelúcia enorme!
— Eu vou o quê? — perguntou Aedan, sem poder impedir Elice que já estava na fila.
Auria ofereceu um pouco de sua pipoca para ele. Os dois ficaram em silêncio observando o carrossel dar voltas e mais voltas.
— Você parece cansado — ela o questionou e, pela cara de Aedan, estava na cara que ele não esperava a hora de ir embora. Vendo Elice brincar cheia de energia, era impossível dizer que os dois eram irmãos. — Sabe, eu sempre fui a caçula na minha família. Às vezes eu penso em como seria ter uma irmãzinha mais nova...
— Leva ela pra você — respondeu Aedan, indiferente.
Auria soltou uma risada alta e quase engasgou com a pipoca.
— Eu até levaria, mas você sabe que ela te adora. Eu jamais poderia separá-los.
— Me adora? A Elice só quer alguém pra brincar. Eu já não tenho idade pra essas coisas, não consigo acompanhar o ritmo de uma criança na idade dela. Às vezes penso que ela seria muito mais feliz com outra pessoa, outra família.
— Você não faz mesmo ideia de como ela te ama, não é? — Auria respirou fundo.
Quando o carrossel parou de se mover, Ralph havia dado vinte e oito voltas sem sair de seu dragão, enquanto Lesten percorrera apenas vinte e cinco correndo feito um retardado. No fim das contas, foi Aedan quem pagou o almoço para todos. Eles marcaram com Lee e Hayley de se encontrarem na lanchonete Espiral, com direito a entradas de frutos do mar e camarõezinhos para beliscar. Aedan não podia reclamar, pois a parte da comida era o mais próximo que tinha de estar na tranquilidade de Pequena Colina, exceto pela barulheira de crianças correndo ao seu redor e gente mastigando de boca aberta e rindo alto.
— Quem é que vai na montanha russa comigo?! — Lesten berrou, se algum desconhecido tivesse se oferecido ele teria aceitado também. — Vamos lá, ruivo, é como andar nas costas de um dragão, só que muito mais emocionante e perigoso!
— E-eu prefiro ficar onde meus pés sentem o chão — respondeu Ralph. — Sério, não é nem por causa da altura, mas é que essa coisa parece ir bem... rápido.
— A fêmea vai junto. Tu pode segurar a mão dela. — Lesten segurou a mão de seus dois amigos e as uniu, mas eles se afastaram envergonhados na mesma hora. Auria ajeitou o cabelo, meio acanhada.
— Alguém tem que ficar e cuidar da Elice...
— Eu fico — Aedan se prontificou. — Não estou disposto a sofrer uma descarga de adrenalina muito alta hoje.
Ele teve que ouvir os quatro falarem em sua orelha pela hora seguinte. Lee e Hayley não apareceram, talvez os dois estivessem muito ocupados, por isso o grupo decidiu ir para a montanha russa. A fila estava enorme, diversos geckos aproveitavam a folga para se divertirem no parque.
Aedan bocejava de sono quando Lee os interceptou na fila, sua expressão estampada num sinal de urgência.
— Pessoal. Encrenca. Das grandes.
— O que tu fez dessa vez, grandão? — perguntou Lesten.
— A Hayley insistiu em me levar para a casa de horrores — respondeu Peter Lee.
— Aqui tem uma casa de horrores? — Elice olhou para seu irmão, o olhar suplicante. — Me leva. Por favor.
— Bom, nós estávamos nos divertindo, mas surgiu um monstro gigante numa sala escura, e... — O homem olhou para os lados e coçou a cabeça. — Eu acertei o coitado com tanta força que ele desmaiou. Agora o brinquedo foi interditado. Só deve voltar a funcionar amanhã.
Auria teve que segurar o riso. Era tão típico dele.
— Mas o problema não é esse — disse o homem. — Depois que voltei da conversa com a gerência, eu não encontrei a Hayley.
— Será que os monstros a sequestraram como forma de punição pelo que você fez com eles?! — indagou Ralph. — Eu sabia que um parque de diversões era o cenário perfeito para iniciarmos uma batalha épica contra as forças do mal!
— Ralph, não viaja. Ela só deve ter ido tomar um sorvete... — respondeu Auria. — Lee, a Hayley é bem grandinha para saber se virar sozinha. Entra aqui conosco na montanha russa, tente esfriar a cabeça, quando sairmos vamos procurá-la todos juntos.
Lee concordou, mas sentia-se desconfortável sem a pequena feneco ao lado. Quando chegou sua vez, Ralph entrou tremendo no carrinho. Não se parecia nem um pouco com a sensação de andar em um dragão — até porque ele nunca tinha voado em um, mas se fosse que nem uma montanha russa, preferia nunca ter de precisar. Auria sentou-se ao seu lado e aproveitou o momento para mostrar o quão corajosa era. No banco de trás, Lesten não parava de tagarelar na orelha de Lee. Elice achava que não poderia entrar por causa da altura, mas se estivesse acompanhada a entrada era liberada, o que obrigou seu irmão a ir também. Aedan e Elice ficaram no terceiro acento, as perninhas da menina mal alcançavam o fundo.
— Aedan, se eu ficar com muito medo, o que eu faço? — perguntou a menina.
— Grita — respondeu ele.
— Mas eu posso te abraçar?
— Não.
Elice o envolveu num abraço.
— Eu vou gritar muito, tá?
— Já preparei os ouvidos.
Primeiro veio o friozinho na barriga. Era possível enxergar todos os arredores no ponto mais alto da montanha, uma visão única das terras de Myriad; Ralph podia jurar que avistara a Vila das Pérolas, Lesten enxergava as três montanhas protetoras da Ilha dos Geckos e ao norte via-se parte da capital de Cortina Escarlate, cidade natal de Auria. A empolgação durou pouco, porque depois veio a queda e qualquer sinal de coragem desapareceu do coração dos heróis. Auria não parou de gritar um segundo, Lesten pensou que fosse morrer e Lee travou na cadeira. Elice se divertia com os braços para o céu e até mesmo Aedan se deu ao direito de sentir o coração palpitar.
Quando o carrinho aterrissou, Auria estava toda descabelada e Lesten sentia as pernas bambas. Ralph era quem estava mais animado com a experiência.
— Uau, foi como andar num dragão de verdade! — disse o garoto. — Essa foi uma das experiências mais loucas da minha vida! Podemos ir de novo?
Todos gritaram não quase que ao mesmo tempo.
O grupo retomou sua jornada atrás de Hayley. Lee continuava impaciente, temia que algo ruim tivesse acontecido a sua pequena, mesmo que estivessem num lugar que julgassem seguro feito um parque.
A busca se estendeu por quase uma hora e ainda não havia sinal da feneco. Quando chegaram próximo à roda gigante, Elice chamou seu irmão e apontou para uma máquina de gancho com pelúcias na entrada.
— Tia Auria falou que você ia dar um pra mim.
— Elice, essas máquinas só servem para extorquir dinheiro das pobres crianças sem coordenação motora, eu não vou deixá-la se tornar mais uma vítima de uma brincadeira fútil feito...
Quando se deu conta, Aedan estava buscando sua carteira atrás de algumas moedas. A menina batia no vidro com dedo, apontando para um ursinho de pelúcia de orelhas enormes no fundo.
— Eu quero aquele ali!
Aedan não era muito bom naquele tipo de jogo. Quando o gancho desceu, eles levaram um tremendo susto quando a pelúcia se levantou e deu um pulo dentro da máquina. Era Hayley quem estava presa ali dentro. Lee saiu correndo quando ficou sabendo do ocorrido.
— O que você está fazendo aí dentro?! — ele gritava enquanto chacoalhava a máquina.
— Eu não sei! Eu não sei! Quando acordei estava aqui!
— Raposinha, só tu mesmo pra dormir no meio de uma praça movimentada — falou Lesten. — Acho que te confundiram com um ursinho de pelúcia perdido.
Dois seguranças tiveram que vir tirá-la da máquina. Elice acabou ficando sem sua pelúcia, mas só de ter Hayley por perto era como ter o bichinho mais fofo de todos.
Resolvida a situação, eles decidiram que não havia nada melhor do que uma volta na roda gigante para relaxar. As cabines eram para duas pessoas, então as duplas já estavam formadas.
— Ah, e o vacilão aqui fica sozinho, né? Pra variar — resmungou Lesten. — Tá bom, beleza. Eu nem queria andar nessa coisa boba mesmo. Ela só fica aí rodando e tu tem que aguentar ficar olhando pra cara feia de quem estiver na tua frente até dar a hora de ir embora...
Uma moça que estava na fila também não tinha companhia. Ela era ruiva e devia ter seus trinta anos, usava um chapéu com um lacinho delicado na cabeça com um vestido que deixava seus tornozelos expostos. Quando Lesten a avistou, seu coração bateu mais depressa.
— Oi, eu... posso ser sua companhia na roda gigante?
O lagarto agradeceu todas as divindades por ter-lhe oferecido tamanha benção.
Aedan e Elice foram os últimos a subirem em sua cabine e logo a roda começou a girar. A menina estava encantada, era uma sensação diferente de estar na montanha russa porque agora tinha tempo de apreciar a paisagem pela janela e ver toda a dimensão da ilha. Aedan estava com a cara monótona habitual, esforçando-se para ser uma boa companhia.
— Olha, Aedan! Acha que dá pra enxergar a nossa casa daqui? — perguntou Elice.
O homem fez que não com a cabeça.
— Será que eles estão se divertindo lá na frente?
Ele deu de ombros, indiferente.
— Você está feliz hoje?
O homem respirou fundo, mas não respondeu. Elice sentou-se e juntou as pernas, parecendo abatida.
— Por que é que você está tão chato hoje?
— Eu tô feliz — respondeu Aedan, forçando um sorriso. — Olha. Felizão.
— Você está tirando uma com a minha cara!
— Não estou. Me diverti à beça hoje.
— Para de zoar comigo! Eu só queria passar uns momentos legais com você, mas pelo visto você não consegue nem fingir que está gostando!
— Escuta, Elice... Estou tentando ser agradável. Você me arrastou para essa droga de lugar e me fez fazer coisas que eu não queria o dia inteiro. Então vê se não enche, tá legal?
A garota recuou atônita, apertou seu vestido e segurou o choro, mas não conseguiria por muito tempo. A roda gigante não havia nem completado uma volta quando ela bateu na porta de sua cabine e pediu para parar. Quando o atendente abriu, Elice saiu correndo pelo parque. Aedan tentou ir atrás dela, mas as pessoas o encaravam cheios de curiosidade e já berravam para que o brinquedo voltasse a girar.
Ele desceu a escadaria, mas não teve sinal de sua irmã. O parque era enorme e só de pensar em ter de procurá-la em todos os cantos já o esgotava. Não queria ter sido grosso com ela, mas às vezes a empolgação de Elice não conseguia acompanhar o ritmo tranquilo que Aedan tentava levar para sua vida, pois todos os outros dias de semana eram cheios de tensão por conta do trabalho.
Um vislumbre percorreu sua mente de onde ela poderia ter ido. Seguiu até a praia logo na entrada, onde os barquinhos chegavam cheio de turistas que vinham aproveitar o dia com suas famílias. Como estava entardecendo, a multidão já se encontrava dentro do parque e apenas alguns casais passeavam enquanto observavam o sol distanciar-se no horizonte distante.
Elice estava sentada abraçando os joelhos e sem as sandálias. Seu irmão fez o mesmo que ela, tirou os sapatos e sentiu a areia nos pés, sem se preocupar em sujar sua calça ou as mangas da blusa. Devia ter vindo com uma roupa mais apropriada para um passeio.
— Por que você saiu correndo? — ele perguntou com a voz mansa.
Elice virou a cara e não quis encará-lo.
— Você acha que eu não gosto mais de você? É isso?
A menina encarou o chão, porque era muito difícil para uma criança entender todos aqueles sentimentos que passavam em sua cabeça. Aedan a envolveu num abraço forte e a trouxe para mais perto de si.
— Desculpa. Eu fui um idiota com você. Você está sempre tentando me fazer sorrir e eu te retribuo com meu mau humor de sempre.
Elice revelou um sorriso tímido, mas ainda não estava totalmente convencida.
— Lembra aquela vez que você tentou preparar o almoço para mim e quase destruiu a cozinha? Eu fiquei uma fera, mas a comida estava deliciosa — relembrou Aedan. — Ah, e quando eu quebrei um dos vasos que a mamãe gostava? Saí furioso para jogá-lo no lixo, mas quando voltei te encontrei no chão, tentando colar as peças com cola...
Elice fechou os olhos e descansou a cabeça no peito dele.
— Quer saber de uma coisa? Você é a melhor irmãzinha que eu poderia pedir. Acho que é você quem não merece um irmão idiota feito eu.
Ela segurou no rosto dele e o encarou com aqueles olhinhos avermelhados que durante os últimos dez anos lhe deram forças para continuar seguindo em frente.
— Eu te amo muitão, tá? Na próxima vez prometo que ficaremos o feriado inteiro em casa assistindo seriado e comendo pipoca.
Aedan não escondeu o sorriso, pois gostara muito da ideia.
— Eu nunca vou deixar nada te ferir. Eu prometo.

Por volta das seis da tarde era hora deles se despedirem do Parque das Conchas. Todas as luzes do cruzeiro estavam acesas e o mar parecia forrado por um espetáculo de brilho refletido na água. Aedan se deu ao direito de aproveitar até o último instante com seus amigos, ele abriu mais e acabou até participando de brincadeiras como o carrinho bate-bate onde Lesten quase saiu no soco com Lee e o barco viking que não era nem de perto a mesma experiência que navegar no Navio Fantasma (e por sinal, o que eram vikings?).
O Capitão Bernard voltou para buscá-los no horário combinado. Ralph e seus amigos teriam muitas histórias para contar quando voltassem, ficando o desejo de irem mais vezes ao Parque das Conchas e levar a tropa inteira quando tivessem a chance.
Ao fim do dia, Aedan sentia-se pleno e feliz. Um pouco cansado, mas ainda tinha o fim de semana inteiro para dar conta disso.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Antes do Começo #04 - Lesten, um Tokay?


Nossa história não começou com o Ralph. Para falar a verdade, também não começou com o Lesten, mas ele é quem recebe o mérito de ter sido o "Primeiro Personagem" quando ainda nem existiam planos de transformar esse universo em um mangá jogo quadrinho livro.

Num passado que antecede a 2005, inventei a raça dos Tokay que me acompanharam por anos em desenhos e rabiscos — na minha mente de 10 anos, eu os tratava como se fossem meus, mas a verdade é que os Tokay são criaturas encontradas no game The Legend of Zelda: Oracle of Ages.

Eu amava essas criaturas. Ainda encontro desenhos delas por todos os lugares da casa, desde rabiscos em pedras até histórinhas de cinco ou seis páginas com eles como protagonistas. Eu vivia um frenesi de Tokays, tanto que ainda tenho um baralho e até mesmo uma camiseta com eles! Eles eram fáceis de se desenhar e, como toda aventura que se preze, é preciso um mascote. Se você comparar o sprite dos Tokay no jogo com os que eu desenhava, é possível perceber as semelhanças. Eles eram folgados, roubavam seus pertences, adoravam carne, e... bem, eram adoráveis!

Quando decidi usá-los no livro, cheguei a conclusão de que não poderia continuar usando o nome Tokay. Descobri uma espécie de répteis de nome científico Gecko gecko, que por sinal também é muito comum em jogos de RPG e D&D. Eles se tornaram uma das raças mais importantes em meu universo, são territoriais, ágeis e divertidos.

Lesten foi o primeiro deles que recebeu um nome, mas por muito tempo não passou de um mero secundário isolado de um projeto meu e das minhas irmãs que foi abandonado. Como eu precisava de alguém para contracenar com Ralph em sua primeira aventura, achei que seria interessante encaixar essa raça de lagartos que habitou meu imaginário no ensino fundamental. Foi num sábado qualquer que Lesten teve a sua chance de brilhar e, sem que eu reparasse, tornou-se o melhor amigo do protagonista — e também meu, pois o Lesten carrega consigo uma parte importante de minha infância 


Quando Ralph sai em uma aventura para resgatar sua amiga Aleafar Auria das garras de um vilão sinistro que surge DO NADA no meio de um tornado, ele acaba caindo em uma ilha habitada por estranhas criaturas... A página acima representa a primeira vez que Lesten deu as caras em minhas histórias. Vemos pouco de sua personalidade, mas nota-se que o povo da ilha o respeitava como um verdadeiro guardião. Sua característica sempre foi a cicatriz no olho esquerdo — cortesia do Kakashi, na época eu estava fissurado por Naruto como todo bom otakinho. Suas armas em batalha também eram uma lança e a espada, além de que a armadura amarela e roxa foi mantida como uma homenagem aos tempos de infância onde eu ainda brincava com as cores e o lápis de cor.

Aos poucos sua reputação foi mudando, de herói para fracassado. Nos livros, Lesten tornou-se um excomungado do exército conforme visto no especial de seu passadoSua história é parecida com a de Boromir, da trilogia de O Senhor dos Anéis — dois irmãos filhos de um homem influente, um era o preferido, e o outro, o rejeitado. Com o governo tornando-se tão corrupto, Lesten conseguiu se manter fiel aos seus ideais, mesmo indo contra sua família — nessa parte ele agiu como Faramir. Apesar de seu passado não ser mostrado no primeiro livro, Lesten guarda mágoas desse tempo. Ele era um capitão respeitado e de grande influência, sua cicatriz está associada a decisões erradas que foram tomadas. Grande parte do jeito arisco e debochado vem desses traumas, Lesten desconfia de todos como forma de proteger um coração machucado.

No primeiro volume de Matéria, alguns podem enxergar Lesten apenas como o alívio cômico ou o sujeito meio desleixado do grupo, mas há uma profundidade maior no personagem. Ele não receberia o título de "Primeiro Personagem" por bobeira. Quem sabe o que o destino guarda para esse guerreiro ferido?


terça-feira, 1 de maio de 2018

segunda-feira, 23 de abril de 2018

sexta-feira, 13 de abril de 2018

domingo, 8 de abril de 2018

Alys - Elemento Alpha [Resenha]


"Alys era só uma garota supervalorizando seus pequenos problemas adolescentes. Até que uma simples incursão abriu mais que o mundo que ela desejava conhecer. Abriu os seus olhos pra verdadeira natureza dos metais Nifrity e as responsabilidades de ser a única pessoa capaz de mantê-los em segurança. Agora, ela precisará desenrolar o emaranhado de segredos em que sua vida foi mantida, aprender a dominar seus poderes e encontrar seu guardião antes que a escuridão chegue. Uma aventura fantástica repleta de mistérios, aprendizado e superação, que levarão uma garota a se transformar em uma guerreira e encontrar o seu lugar no mundo."

Autor(a): Priscila Gonçalves
Editora: PenDragon
Lançamento: 2017
Altura e largura: 23 x 16 cm
Número de páginas: 354
Gênero: Aventura, Fantasia, Ficção, Infantojuvenil

Por que escolhi essa obra?

Sabe aquela história de que o leitor escolhe um livro pela capa? Sou formado em Design Gráfico e não importa o argumento, como não se sentir atraído por uma ilustração bem feita?

Eu encontrei Alys meio que por acaso — não conhecia a Priscila, ninguém me indicou o livro e eu não fazia ideia de qual era a história. Eu fui atraído pela capa e pelo trabalho da autora divulgando a obra em seu perfil no facebook. Esse, sem sombra de dúvidas, foi o fator mais importante. Para ser sincero, eu nem me lembro ao certo como foi que adicionei a Priscila, mas uma das coisas que mais adoro dos autores nacionais é essa possibilidade de conhecê-los, conversar e ser sempre recebido de portas abertas. Quando descobri que ela era a autora de Alys, aproveitei o embalo para pedir que meu exemplar viesse autografado, rs. Não há nada melhor do que ver um escritor que fala de seu trabalho com brilho nos olhos, você se sente instigado a conhecer mais desse universo. Alys foi o meu primeiro contato com os trabalhos da Editora Pendragon e só tenho elogios a fazer, tive uma leitura incrível de mais uma obra nacional de fantasia.

Capa, Design e Editoração

Um dos elementos que mais me atraiu em Alys foi a capa. Basicamente todo o enredo da história gira em torno de metais — não daqueles sólidos e pesados como estamos habituados — é como se os fossem a manifestação física de toda magia e energia contida no universo. A escolha das duas fontes para compor o logotipo e as demais imagens também foram excelentes. Um trabalho impecável dos ilustradores. Murilo Magalhães, Apolo Moreira e Éder Max.

No blog Vitamina L, encontrei uma entrevista com a autora datada de 2016, um ano antes do lançamento oficial. É comum um autor usar capas provisórias até chegar à oficial, ao lado vocês conferem uma das versões de Alys que encontrei. Percebe-se que o uso de roxo e azul se manteve para trazer toda a ideia do lado místico, outra grande escolha foi colocar a protagonista na capa que possui um visual chamativo por si só.

A editora fez um trabalho incrível com toda a diagramação e os detalhes. Fonte legível, papel pólen e uma das surpresas é que o exemplar ainda acompanha um papercraft da protagonista. Há um cuidado notável com todo o projeto que só me faz querer conhecer mais e mais o trabalho da galera da Pendragon.

O único defeito que aponto (que para ser sincero, não sei se foi erro da revisão ou se trata de uma característica da escrita da autora), foi no uso de vírgulas e inúmeras palavras comidas ou trocadas por falta de atenção. Nada que alguns ajustes futuros não possam consertar.

Sobre a Obra e a Narrativa

O universo criado por Priscila Gonçalves é mágico e intrigante. Sou da área de fantasia e estou sempre aberto a ler sobre ideias inusitadas de outros autores. Como tantos outros leitores, estou cansado de anões, elfos, orcs e faço brincadeiras com o uso exagerado de dragões por aí (apesar de ainda protegê-los com todas as minhas forças, rs). O que vi em Alys não se trata de uma reciclagem tediosa dessas ideias que já conhecemos (Eragon, estou olhando para você), cada criatura respira novos ares sob uma narrativa divertida e inusitada.

Nos primeiros capítulos, somos apresentados ao cotidiano de uma garota que se vê isolada do mundo sob o olhar vigilante de seu pai. Como toda boa Jornada do Herói, este é o "Mundo Comum" da Alys, ela anseia por aventura e uma vida longe de seu regime fechado, mas ela segue no aguardo desse chamado. Desde que passei a entender os conceitos do monomito de Joseph Campbell, venho tentando prestar mais atenção na maneira como um personagem é inserido na trama— Alys recebe o chamado com a chegada ao antiquário, seu amigo Kyer serve como um mentor e ambos passam por uma série de desafios até chegar ao "Mundo Especial". No entanto, senti que a narrativa da primeira metade do livro foi arrastada. Intensa, porém extensa demais. Durante quase 100 páginas, Alys e Ky estão em uma fuga frenética, Alys é afligida por  inúmeras perguntas e dúvidas como a boa personagem curiosa que é, mas ela sempre recebe a mesma resposta: "depois falamos sobre isso". O universo criado por Priscila é incrível, cheio de nomes e lugares complexos, mas o leitor demora para assimilá-lo tanto quanto a personagem. Lembro-me de um trecho que a própria Alys brinca: "Já reparou que sempre que era hora de me darem respostas, algo inesperado acontecia?" Isso na página 311. Todo mundo quer que ela assimile essas informações, mas parece que ninguém tem paciência de sentar e explicar-lhe com calma (o que é perfeitamente compreensível visto que eles estavam numa corrida contra o relógio).

O Mundo Especial da autora, também conhecido como Nafh'ta, foi muito bem explorado. Ele traz a ideia de aconchego que os personagens precisavam, um porto seguro. É aqui onde tanto Alys quanto os personagens a sua volta começam a progredir de verdade. A ideia de um mundo futurístico e o destaque para os metais me fisgou desde o princípio (quem me conhece sabe que sou fascinado por pedras). Quando somos inserido à rotina de Alys, vemos como a vida dela se parece com a nossa e não temos ideia da importância de sua função como Elemental. No momento em que ela encontra o antiquário onde o cajado e os livros são descobertos (outro cenário intrigante e muito bem descrito), a parte fantasiosa começa a aflorar. Em Nafh'ta é onde acontecem todas as reviravoltas. Mesmo depois da chegada à floresta, ainda nos deparamos com invasões e a batalha contra o tempo segue acirrada para que Alys cumpra sua profecia como Elemental na primeira lua. Deixo meus elogios para cada ambiente explorado de forma tão criativa, no último ato temos o Templo Submerso e o desencontro com um peixe gigante das profundezas, minha imaginação rolou solta como se os personagens atravessassem a fase final de um jogo!


A mitologia do Construtor e sua criação é fascinante e plausível, desde a forma como as magias são conjuradas até a maneira como os metais reagem. A autora criou um universo que funciona incrivelmente bem dentro de sua proposta — vemos elfos, fadas e até um dragão (da forma mais inusitada que você imagina), afinal, quem não gosta ver suas raças favoritas exploradas de maneira criativa? Os monstros, por sua vez, são compostos por criaturas esqueléticas e eles cumprem bem seu papel apanhando e dando o devido medo quando necessário.

Um dos temas que mais fiquei contente ao me deparar foi a mistura de raças. Aqui vai um pequeno spoiler: Alys é uma mestiça (de muita coisa louca, diga-se de passagem! - rs). Eu adorei a maneira como a autora explorou essa diferença numa época onde é tão importante discutirmos esse assunto, sou daqueles que acredita que o amor supera qualquer coisa e fiquei contente por ver esse valor ser passado adiante em personagens como Ky e Laiza, mesmo que de forma discreta. Eles ainda passarão por muita coisa caso esse relacionamento seja explorado no próximo volume.

Alys segue melhorando a cada página, o treinamento dela foi divertido de se acompanhar, uma agradável surpresa porque é comum que a narrativa se comprometa caso o autor se prolongue demais. Os personagens secundários mantém o enredo andando, novos mistérios são levantados e tudo se encaixa antes do final.  Alys treina, cresce e amadurece... mas talvez não tenha sido o bastante, o que comprova o quanto a autora sabe os limites de sua própria criação.

Sobre os Personagens

O ponto alto do trabalho de Priscila foi sem sombra de dúvidas com os personagens.

Alys segue o padrão do protagonista "escolhido" por uma força maior, mas ela é completamente despreparada e, ao meu ver, esse é o charme dela.

Todos os personagens secundários da história tiveram um papel primordial. Eles não são apenas importantes para o desenvolvimento da Alys, são interessantes, divertidos e têm seu próprio crescimento. As Irmãs Vaarne, uma elfa guerreira e uma alquimista, estão entre as minhas favoritas Laiza tem 100 anos e gosta dos caras mais jovens, como não amar? Thela é durona e rígida como uma general, mas têm uma família linda e zela por suas crianças. Você segue torcendo por elas e todos os demais.

Evan, o guardião, é o segundo personagem no comando. Tudo que acontece com Alys, passa por ele. Os dois personagens que começam quase saindo no soco apresentam um belo desenvolvimento e aprendem a se admirar e respeitar, mas nunca perdem a essência de caçoar um do outro. É uma amizade bonita, não no sentido romântico da questão, mas de lealdade. Evan é um dos personagens mais leais a sua causa que eu já vi, e com certeza ele terá um avanço extraordinário no segundo volume, é para ficar de olho! Heh, heh.


Kyer começa como um mentor para Alys e aos poucos vai recebendo seu próprio espaço. Ele é o melhor amigo dela e estava disposto a tornar-se seu guardião. Eu gostei que a autora não usou essa ideia de friendzone passada, a amizade dos dois é mais sincera do que isso, entende?

O velho Celen é uma criatura cheia de surpresas! Trata-se de uma das formas mais criativas que já vi de retratarem um dragão — um velho de monóculo que fica sentado em sua poltrona confortável, mas também está ali como o mentor primordial e cheio de conhecimento e seus próprios mistérios.

"Quando um Elemental e um guardião se tornarem, enfim poderemos ver a luz e a magia retornarem e a todos nós fortalecer. Agora desperte e lute como parte do exército imaterial, vós que sois sangue de Ikal, sejam corajosos e justos até o final." p. 84

Falando sobre os vilões, admito que fui pego de surpresa! Wen, um dos lacaios do chefão final, é muito mais interessante e bem explorado do que seu mestre. Sou um pouco contra vilões poderosos que parecem só ter uma paixão por destruir, gosto de sentir empatia por eles e que no final fique a dúvida — qual dos dois lados realmente estava certo? Espero que o volume dois trabalhe melhor suas motivações ou crie um vilão a altura, porque se ele não se preparar, Alys chegará com fogo nos olhos para acabar com qualquer um que se por em sua frente.

Agora eu gostaria de encerrar com algo que me atraiu nas páginas finais — um terrível erro de muitos escritores é fazer com que seus personagens cresçam antes da hora, ultrapassando os limites do seu aprendizado e recorrendo ao clássico deus ex-machina. Nós, como autores, muitas vezes acabamos empurrando goela abaixo decisões e consequências dos nossos protagonistas porque nos falta tempo (ou melhor dizendo, páginas), ele vence o inimigo com o "poder do amizade" ou até despertando algum poder supremo que estava adormecido só que de maneira que pareça improviso do roteiro, vemos muito disso nos animes shounen. Quando o confronto final com o antagonista acontece, Alys vê de perto as consequências de sua falta de treinamento. Era impossível ela amadurecer tanto em tão pouco tempo, e ela sofrerá por isso. Achei incrível a autora explorar essa fraqueza, Alys terá de carregar esse preso para o resto da vida e muita coisa vai mudar no segundo volume da trilogia. Um final inesperado que te deixa o tempo todo com o coração na mão, certamente foi a cereja do bolo da obra!



Considerações Finais

Alys foi a leitura mais divertida que tive de um nacional de fantasia esse ano. Explorando humor e tensão na hora certa, a autora soube trabalhar o que é, para mim, a essência de toda boa história de aventura voltada para o público infanto juvenil — os personagens conversam com o leitor que se identifica, são cercados por seus defeitos e querem descobrir mais sobre esse mundo novo tanto quanto nós. Eles arranjam tempo para amar e caçoar da cara um do outro, a fantasia não precisa ser tão diferente do mundo real, os personagens enfrentam desafios como nós todos os dias, porém, claro que representados de maneira mais imaginativa - rs.

O principal valor que Elemento Alpha carrega é a lealdade, mas também tem a ver com o medo de encarar o mundo. Não importa o tamanho da ameaça, Alys conseguiu manter o sorriso no rosto. Uma das coisas que mais aguardo na continuação é conferir o crescimento dela e daqueles ao seu redor. Ela recebeu um choque tão grande que não será mais a mesma, é aqui onde vemos a fantasia progredir e a jovem que antes mal sabia como conjurar um bastão se tornará adulta. Acima de tudo, é uma história sobre seu crescimento. Muitos leitores podem se identificar com essa mensagem: "Não tem problema sentir que não é bom em nada, porque todo mundo pode melhorar. A vida se encarrega de colocar as pessoas certas no seu caminho".

Alys é fiel à sua proposta do começo ao fim e a autora mostrou que controla seu universo tão bem quanto o Construtor. Sinta-se livre para mergulhar de cabeça nesse universo místico cheio de metais, personagens cativantes e carisma, você não vai se arrepender.


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