sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Capítulo 9

Auria brandiu Melodia e surpreendeu a todos. Era raro ver uma mulher na linha de frente, a maioria delas se contentava com arcos, magias ou feitiçarias a longa distância; nunca estavam no combate corpo a corpo. Auria não era do tipo que estava disposta a seguir regras novamente, o tempo jamais a aprisionaria e impediria que tomasse novas decisões. Ralph também sacou sua espada de madeira e um grande alvoroço começou.
Johnny Goldo ergueu a mão e pediu que um de seus comparsas trouxesse sua arma. Era uma enorme bala de canhão amarrada com concorrentes, uma cimitarra na cintura e facões presos no casaco. Ele ajeitou as calças apertadas em sua barriga enquanto os pobres companheiros tinham de prepara-lo para a batalha.
Foi tempo o suficiente para que os geckos saíssem da taverna, uma vez que ninguém mais conseguiria convencer o pirata a deixar o local de forma pacífica. Goldo rodou a bala de canhão na corrente e atirou-a. Em um movimento surreal, Ralph rebateu a bola de ferro com sua espada, como se fosse um taco de baseball. Ninguém acreditou que um material frágil como madeira aguentaria aquele tranco, mas a bola voltou com impulso e acertou os piratas com força, arremessando-os para fora.
— Não deixe que eles fujam! — gritou Goldo, vendo que ainda tinha uma chance. Lá fora teria mais espaço para manusear sua bola de canhão, podia sair na vantagem.
Enquanto recuava, deu a ordem a seus capangas que sacassem suas armas e entrassem na Escama Azul rumo aos andares superiores, onde roubariam tudo de quem estivesse hospedado ali. Três deles avançavam quando Auria confrontou-os e fez um corte no ombro do primeiro que tentou passar, ele já caiu no chão uivando de dor. Os outros dois trocaram olhares espantados. A própria Auria sentiu a mão vacilar, devia ser a primeira vez que machucava alguém pra valer.
Ralph golpeou o segundo capanga na cabeça com sua espada de madeira. O pirata fechou os olhos, somente então notou que não estava machucado.
— Crianças não deveriam brincar com armas, sabia? — provocou o pirata, sacando uma pistola de sua cintura. — Vou te mostrar uma arma de verdade!
Ele apontou o objeto para Ralph, mas nada aconteceu. Também era a primeira vez que usava uma arma, o vendedor do mercado negro lhe dissera que aquele instrumento mortal era de um poder terrível capaz de matar o inimigo num único clique, mas o pirata era tão leigo que precisou olhar dentro do cano.
— Que droga, o que essa coisa faz? Pensei que ela fosse disparar uma rajada de fogo ou algum tipo de magia sobrenatural.
— Por que não tenta usar assim? — Ralph tirou a pistola da mão de seu oponente e o acertou na cabeça com uma cacetada. Em seguida, golpeou o sujeito na barriga com um chute e empurrou-o para fora, o homem bateu a cabeça no balcão e terminou inconsciente. Ralph descartou a arma em seguida, jogando-a no mar pela janela.
Goldo já estava do lado de fora rodando sua bala de canhão. Atingia o píer e deixava buracos no chão de madeira, causando temor pelo simples prazer de ver o alvoroço. Auria tentava aproximar-se, mas era difícil com aquela coisa rodando e lagartos desesperados atrapalhando seu movimento. Ralph lidava com outro pirata e odiava a ideia de ferir uma pessoa. Deu uma espadada com força na costela de um, o suficiente para que ele se deitasse no chão de dor.
— Vai tentar me matar com um pedaço de pau? — intimou o homem.
De repente, o pirata foi surpreendido por uma lança atirada de longe que quase acertou seu ombro. Ralph virou-se assustado quando viu Lesten que logo regressava, brandindo sua espada e recuperando sua lança após chutar seu adversário na cara. A fita vermelha dançava na ponta ao toque do vento.
— E tu achou que eu ia perder uma baita farra dessas? — disse o lagarto, convencido de suas habilidades.
— Na verdade pensei que você tinha ido ao banheiro e já estava prestes a voltar. Por quê? Você pretendia ir embora?! — gritou Ralph, pasmo.
— Rapazes, não quero incomodar, mas já incomodando — Auria chamou a atenção dos dois com um berro —, temos alguns problemas maiores a resolver!
Goldo lançou novamente sua bola de ferro e os três se esquivaram com facilidade, um para cada lado. Auria desarmou um dos homens e Lesten acertou outro no peito, deixando-o sangrar no chão. Goldo só pensava em manter-se longe balançando aquela coisa para todos os lados e destruindo postes, palmeiras e paredes; foi então que Ralph percebeu que ele demorava muito para recolhê-la. Com Lignum em mãos, ela partiu a corrente que conectava a bala de canhão num mergulho só, arremessando com o impacto o pirata que rolou pela banca de areia até perto da praia.
— Seus miseráveis! Agora irão provar da fúria de Goldo e jamais sairão dessa ilha com vida! — gritou o homem que não teve nem tempo de retirar uma de suas pistolas, Lesten já apontava a lâmina da espada em sua garganta.
— E o que tu pretende fazer? Jogar água na gente? — provocou o lagarto.
— Nem brinca — Ralph o interrompeu. — Eu odeio água.
Goldo revelou uma risada impetuosa entre seus dentes podres.
— Eu ainda tenho aquilo. Um monstro antigo, vindo dos primeiros anos da criação do mundo. Ele dará conta do serviço.
Auria arqueou as sobrancelhas e teve sua atenção voltada para a fragata pirata quando um dos sobreviventes mancava para o convés e puxou um enorme pano sobre o que parecia ser uma jaula velha e enferrujada. Quem observava o espetáculo certamente impressionou-se com o que veio logo em seguida.
Na jaula estava ele, um autêntico Dinorros em carne e osso. Uma criatura de pés imensos, sua altura mal cabia dentro do pequeno espaço que tinha para mexer-se, por conta disso parecia bastante assustado e irritadiço. Era muito parecido com um gecko em sua forma, mas tinha três vezes a altura de um e seus braços curtos o deixavam desproporcional ao restante. Suas escamas eram duras feito ferro, seus pés eram tão grandes e grotescos que se assemelhavam a pedras imensas que ganhavam vida e começavam a se mexer.
— Um Dinorros! Caramba, pensei que tivessem sido extintos! — Lesten falou impressionado. — Imaginei que não houvesse sequer casais para que eles pudessem procriar.
Goldo soltou uma longa risada vitoriosa.
— Bah-hahaha! Vocês estão mortos! Eu capturei esse monstro em um poço perdido que encontrei em uma ilha distante, eu o resgatei e depois o aprisionei para que seguisse meus comandos! Pena que é apenas um filhote, mas quando os Dinorros crescem, podem tornar-se criaturas colossais com até oito metros! Eles trituram os céus com seus dentes, causam terremotos na terra com suas patas gigantes, destroem tudo que encontram! — gritou o pirata, fazendo uma pausa em seguida. — Libertem-no!
O marinheiro soltou rapidamente os parafusos da jaula que estremeceu e tombou para os lados. O teto caiu na cabeça do enorme dragão que pareceu pouco sentir aquilo. Ralph e seus companheiros o observaram atônitos, mas logo os olhos da criatura se encheram de lágrimas e começou a chorar.
Auria levou a mão ao peito.
— Ahh, mas ele é tão fofinho — comentou em voz baixa.
— Já saquei a tua, fêmea. Tu é chegada nesses bichos esquisitos, que nem eu! — Lesten brincou de maneira desajeitada, o que a fez corar e dar outro soco nele.
Ralph preparou sua espada de madeira quando viu Goldo levantar-se e gritar mais uma vez:
— O que está esperando, seu idiota? Provoque-o, faça esse monstro sair daí e destruir alguma coisa. Se o tempo for bondoso com sua espécie, ele fará dessa ilha seu refúgio, destruindo uma das maiores metrópoles desses geckos desprezíveis! Faça-o sair daí agora!!
O pirata assentiu obedientemente com a cabeça e, num gesto desesperado, agarrou uma lança e começou a espetar a criatura que chorou ainda mais alto. Era como ver um protótipo de dragão revivido nos dias atuais, eles já não eram mais vistos com a mesma frequência. O Dinorros era tão desengonçado que logo a fragata estremeceu para os dois lados, quase afundando na costa da praia. O pirata enfiou a lança numa região mais profunda e o monstro berrou de dor. Seus olhos agora demonstravam instinto, num movimento impressionante o dragão ergueu uma de suas pernas e esmagou aquele homem como se fosse um verme indesejável.
O chão tremeu. Goldo caiu com os olhos pregados e a boca trêmula.
— Olha só o que você fez! — gritou Auria para o pirata. — Libertou um monstro perigosíssimo numa das regiões mais povoadas de Sellure!
O Dinorros rugiu com fúria, deu um incrível salto e parou no píer, despedaçando-o em um milhão de toras de madeira. A criatura era lenta, mas por onde passava causava destruição. Lesten segurou sua lança e atirou-a contra o monstro que teve sua pele perfurada, mas nem isso o fez parar. O lagarto correu para resgatar sua arma, mas a criatura agora tinha direcionado a atenção para os aventureiros ao invés da cidade. O monstro balançou sua cauda e deu uma pancada tão forte em Lesten que o lagarto caiu longe sob os escombros da taverna.
— Lesten!! — gritou Auria, correndo para socorrê-lo.
— Vocês serão destruídos! Destruídos! — gritava Goldo de maneira eufórica, mas no fundo ele parecia sentir que cavara sua própria cova.
Ralph continuava esquivando-se, de nada adiantavam suas armas ou sua defesa contra uma ameaça em potencial como um Dinorros. A marinha da ilha fora acionada e o alarme soava enviando soldados para a região costeira onde a criatura atacava, mas eles precisavam contê-lo até que chegassem.
Ralph tentou golpeá-lo e acabou sendo arremessado para longe com uma cabeçada do monstro gigante. Quando o jovem abriu os olhos, viu que a criatura caminhava em sua direção.
— Ralph, cuidado! — gritou Auria.
Num ato de desespero, ela arremessou sua espada que fincou nas costas do monstro. O dragão bípede rugiu e virou-se para ela. Irritado, ergueu uma de suas enormes patas e, nesse instante, Auria só teve tempo cair no chão e proteger-se. A criatura mergulhou a pata como um martelo para cima dela, lançando poeira e areia para todos os lados.
Ralph gritou perplexo, sentindo todas as suas veias pulsarem e o sangue aquecer. O garoto agarrou sua espada de madeira e deu um salto para golpear o monstro, por um instante Lignum teve aquele mesmo estranho efeito, pareceu transformar-se em ouro branco ou algum material desconhecido. Acertou a pele do dragão como se ela fosse revestida de papel, rasgando-a e causando um corte profundo em seu peito exposto. O Dinorros estremeceu, caindo para trás em cima de uma cabana num choro estridente.
Goldo estava pasmo ao ver seu monstro ser derrubado. Ralph olhou para o local onde vira Auria ser esmagada, uma cratera se formara no chão. No fundo dela, havia uma moça carregando um enorme escudo de ferro para o alto. Ralph revelou um sorriso e agradeceu os céus por ela estar bem. Tinha apenas alguns machucados e suas pernas tremiam, mas estava viva.
— Como isso é possível? Derrotaram meu filhote de Dinorros?! — Goldo gaguejou, incrédulo. — Quem são vocês, afinal?
Johnny Goldo só parou quando sentiu que alguém tocava seu ombro. O pirata virou-se e viu que toda a frota da marinha local estava ali, com lanças e espadas apontadas em sua direção, geckos trajados em uniforme completo e com a bandeira de sua nação. Os homens-lagartos não gostavam que sua terra fosse invadida, dariam a devida punição para quem desrespeitasse aquele acordo, principalmente por causar tumulto e confusão.
— Opa — Goldo levantou as mãos para o alto, sorrindo um pouco sem graça. — Eu tenho dinheiro, querem ver? O que acham de sentarmos e batermos um papo?
Somente então percebeu que sua sacola de moedas de ouro caíra em algum lugar. Os guardas trataram de prendê-lo na mesma hora.
Ralph ajudou Auria a sair do buraco, pouco depois Lesten também se recuperara. O lagarto foi em direção da moça, deu-lhe um forte abraço que a fez ficar ainda mais encabulada, falando um monte de baboseiras ao mesmo tempo.
— Fêmea, antes de mais nada, entenda o seguinte: a) Não se arremessa espadas, ou tu fica desarmada. Eu tenho duas armas, sabe contar? E b) Desculpa por ter duvidado de ti! Eu devia ter imaginado que as fêmeas humanas eram tão poderosas e destemidas!
— Eu sou feita de ferro — disse ela, limpando o sangue que lhe escorria pela boca.
Ralph aproveitou a ocasião para perguntar:
— Como foi que você fez aquilo? Quero dizer, desde quando você carrega um escudo escondido no bolso?
Auria olhou para o artefato que cobria seu braço esquerdo inteiro. Ao relaxar a mão, percebeu que o escudo voltou a transformar-se na jaqueta de couro que ela nunca dispensava. A moça riu e mexeu nos cabelos bagunçados, colocando as mãos no bolso e olhando envergonhada para os lados.
— Esse presente da minha irmã é impressionante. Não se preocupem, eu também só descobri agora — ela brincou com sua recente descoberta.
A jaqueta se transformava e viajava por seu corpo, com milhões de pequenas partículas que se materializam e formam uma armadura resistente. Eram como escamas minúsculas, a magia utilizada naquela vestimenta era realmente admirável, talvez Lignum tivesse alguma semelhança àquele tipo de poder, pois era capaz de assumir formas em circunstâncias inesperadas através da mana, a magia do universo.
Ralph sorriu e compreendeu o motivo daquela mulher ser a sua grande defensora, o tanque de guerra de sua equipe.
— Suas irmãs devem ser bem legais, não é? — o jovem disse com entusiasmo.
— São as pessoas mais importantes na minha vida, eu faria tudo por elas. Todos esses anos usando essa jaqueta e nunca parei para pensar no sentido da frase que me viviam me dizendo: Nós vamos te proteger onde estiver!

i

Lesten foi caminhando pela costa onde o imenso Dinorros jazia caído e aproveitou para pegar algumas escamas que estavam espalhadas por aí. Pegou uma delas e analisou cuidadosamente seu estado antes de Auria perguntar:
— O que vai fazer com isso?
— São espólios[1] de guerra. Não tive tempo para contar a vocês, mas sou um renomado Caçador de Monstros.
— Lesten, isso é incrível — Auria falou admirada. — E quantos você já matou?
— Acho que esse aí caído no chão é o primeiro.
— Que belo caçador...
— Era só brincadeira, estou mais para colecionador do que caçador, não me importo com o desafio ou a caça em si, eu gosto é de ter alguma lembrança dos lugares que passei e das coisas que fiz.
— O seu título deveria ser Lesten, das Coisas Estranhas — a moça sorriu de forma amigável.
Quando o lagarto retirou a lança que estava fincada no Dinorros, o dragão gemeu de dor, fazendo o gecko afastar-se depressa em estado de alerta. Ele ainda estava vivo.
A criatura levantou-se com dificuldade e parou sentado com seus bracinhos voltados para frente, observando as pessoas na praia ao seu redor com relutância. Deveria estar mais calmo agora, embora muito ferido.
— Ele é apenas um filhote, fez aquilo para defender-se — explicou Lesten. — Um adulto chega a ser três vezes maior do que esse, que já consideramos imenso. Imagine como deve ter sido o tempo em que esses monstros perambulavam pelas cavernas e guerreavam contra as raças! Tokay Asa Negra matou um montão deles, por isso esse cara é foda.
Auria foi até a criatura, tocando levemente sua pata ferida. A moça desejou saber magias de regeneração, mas o caminho que escolhera era o de defender as pessoas, e não curar. Era possível ver as lágrimas descendo pelos olhos daquele filhote, o que a deixou profundamente amargurada.
— Pobrezinho... O que vão fazer com ele?
A gente pega, mata e come — Lesten bateu as mãos, contente. — Daria um belo banquete!
— Monstros como os Dinorros são criaturas raríssimas — explicou um dos oficiais da marinha que aproximou-se. — Se um filhote foi encontrado, pode ser o sinal de que eles não foram completamente dizimados. Faremos o possível para que não sejam extintos, como pensávamos que estivessem. Nós o estudaremos e o levaremos a uma reserva no sul da província de Perpetua, uma ilha isolada onde poderá viver em paz e crescer saudável.
Auria trocou um breve olhar com o Dinorros que pareceu compreender aquele ato de carinho.
Ralph estava feliz por saber que o incidente com os piratas acabara bem. Os moradores da costa raramente viam invasores cruzar aquelas fronteiras, mas agora acreditavam na possibilidade de que as velhas alianças tivessem sido quebradas, mas poderia ser o indício de que as raças já não respeitavam completamente a lei.
Para piorar, a amizade entre geckos e humanos nunca fora das melhores.

[1] Os espólios ou despojos de guerra são objetos conquistados pelo exército ou pela parte vencedora de uma batalha ou guerra. Serviam como troféus para lembrar a vitória obtida sobre o inimigo.

  2 comentários:

  1. Dinorros são Tiranossauros literalmente kkk

    Agora uma brincadeira sem graça: (Minha tentativa fracassada de ser engraçada)
    As personagens derrubam um monstro enorme que podia destruir toda a ilha, de modo geral, salvam-na de um ataque de piratas, na presença da marinha, e a marinha não faz nada para recompensar o esforço dos jovens guerreiros?
    Agora eu imaginei a Auria a reclamar por isso e o Lesten com um ar todo filosófico:

    ''Fêmea, a recompensa é os espólios''

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    Respostas
    1. Sellure é tão bizarra que tem tiranossauros andando por aí livremente kkkkkk Mas esse Dinorros na verdade é uma homenagem ao primeiro monstrinho que criei para minhas histórias, na época eu o chamava de Iron Feet, um tiranossauro que ficava brincando de io-iô com uma bola de ferro gigante cheia de espinhos kk

      Esse Dinorros nem representava uma ameaça real, acho que os próprios personagens exageram quando dizem que ele poderia destruir a ilha kk É aquele clássico primeiro chefão que enfrentamos, eles parecem ameaçadores no começo, mas no fim da aventura quando paramos pra pensar eles eram bem inofensivos.

      O governo de Sellure tá que nem aqui no Brasil, eles não ligam para nada e dane-se todo o resto kk Se depender da marinha, eles até levariam o Ralph preso porque eles não possuem o passaporte para entrar na ilha.

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