terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Passado dos Personagens - Ralph (Parte 1)


Era seu primeiro ano na escola do ensino fundamental para humanos de Helvetica. Ralph trabalhara duro durante dois meses para finalizar uma armadura de papelão a tempo de inaugurá-la. Nunca antes estivera tão longe de casa, devia muito aos seus pais que deram seu melhor para que ele entrasse em uma escola onde receberia cuidados e estudo adequado para um humano. Sentiria muita saudade do Vale do Vento. Ainda não sabia quando teria a chance de voltar, por isso Ralph fez tudo que tinha direito antes de partir: brincou, correu, sentiu o toque da grama, a brisa do final da tarde e o pôr do sol por trás das montanhas. Aquele pequeno vilarejo sempre seria o começo de seu mundo.
Seus pais não passavam de fazendeiros da região rural, mas a vida toda ouvira histórias sobre heróis que fazem parte de algo maior. Com apenas dez anos não há muito que se possa fazer sem a supervisão dos mais velhos, nunca lhe pareceu fazer sentido que outros decidissem seu futuro. A maioria das crianças temia o dia do chamado para a guerra, por isso preferiam não crescer. Viviam como se aquela fosse uma realidade muito distante, crescer era um compromisso árduo por si só, mas Ralph aprendeu a dar seu melhor desde cedo.
Sua rotina se baseava em ajudar o pai e a mãe nos afazeres da fazenda durante a manhã, dessa forma podia tirar o período da tarde para se divertir e brincar. Era a primeira vez que estaria no meio de tantos humanos sua segunda raça, era o que sua mãe dizia — apesar de sempre estranhar que sua pele era curiosamente mais macia do que a dos geckos, além de não ser nem um pouco verde; os olhos não eram tão separados e grandes, e ele também não tinha um longo rabo que o acompanhava aonde fosse. Dos humanos que conhecera até hoje, lembrava-se apenas de um viajante que lhe contava histórias quando estava de passagem pela vila, além de uma mãe muito bonita que tomava conta da padaria vendendo pães e leite. Ela tinha uma filha que era muito levada e vivia aproveitando-se de Ralph por ele ser mais baixo e mais novo.
Quando finalmente chegou o dia das aulas começarem, Ralph pegou o trem e partiu para a capital de Campos Verdes. Ele não esperava que a viagem fosse tão rápida, por ter pego no sono acabou indo parar nos limites de uma província vizinha e precisou esperar mais cinco horas até voltar à cidade.
Ele havia pedido o primeiro dia de aula e atrasou-se no segundo.
 A escola certificou-se de ceder-lhe uma cama no dormitório onde teria direito ao café da manhã, almoço e janta; além de acessos a áreas de recreação e atividades extraclasses após o término do expediente.
Ralph tinha vergonha de pedir informações para os adultos, mas seu instinto o fez seguir outras crianças uniformizadas até o prédio da escola. Ali estava a longa escadaria da New Times, era chegada a hora de abraçar as surpresas que o destino lhe reservasse. Ralph respirou fundo e seguiu em frente.
A escola era antiga, mas contava com uma infraestrutura bem acabada. Os professores eram experientes e dispostos a passar adiante não apenas fórmulas e textos decorados, mas conhecimento e lições para a vida. Os corredores amplos de tijolos entrepostos davam num pátio amplo e aberto, onde se podia observar uma bela fonte no centro onde as crianças adoravam fazer piquenique, em outros momentos tinham aulas recreativas ao ar livre. O contato com a grama e a natureza era constate, acreditava-se ser fundamental para o desenvolvimento intelectual.
Ao chegar à sala de aula, os outros alunos não prestavam muita atenção no que acontecia ao redor. Muitos vinham de famílias vizinhas e estavam acostumados uns com os outros, mas para Ralph muito daquilo era novidade — a última vez que vira tantos humanos juntos foi na estação de trem, onde se perdeu e começou a chorar até que dois guardas o ajudassem.
Ele sentou-se meio desengonçado em uma cadeira próxima à janela, entre a terceira e a última fileira. Continuava aguardando ansiosamente alguma coisa que ainda não entendia muito bem o que era, mas estava ansioso. Foi quando ouviu alguém sussurrar na fileira de trás:
— Cadê seu material?
— Material? — Ralph perguntou, virando-se para o garoto. Estaria ele se referindo a mantimentos necessários para sobrevivência? Porque se fosse, tinha o suficiente para compartilhar com ele por um ou dois dias. Quando finalmente entendeu a pergunta, mostrou que carregava uma espada de madeira nas costas. — Eu trouxe a Lignum, minha companheira.
A outra criança fez uma careta e começou a rir.
— A professora vai te colocar de castigo — foi o alerta. — Ela é assustadora! Dizem até que é uma bruxa de verdade, mas nas horas vagas gosta de cultivar plantas carnívoras e atormentar criancinhas. Dizem até que ela cozinha alunos na casa dela!
— Deixe de ser mentiroso. A professora Clover só é severa com quem sai da linha, mas ela é atenciosa e gentil com os mais dedicados, principalmente com quem mais precisa — respondeu a garota da direita, que inclusive estava muito admirada com o trabalho manual de seu companheiro de classe. — E por sinal, adorei a sua armadura — ela cochichou baixinho e ajeitou os óculos antes de virar-se.
— Obrigado, eu quero muito me tornar um herói para proteger as pessoas! Vou entrar no exército, por isso devo estar preparado — falou Ralph.
Ele estava para explicar como havia construído os detalhes de sua armadura quando uma dúzia de outras crianças se aglomerou em volta dele ao descobrirem que ali estava o tão aguardado aluno novo. Pelo visto agora teriam o que discutir pelas próximas semanas.
— Quer dizer que você vai mesmo entrar no exército? — falou um menino magricela. — Você é louco?
— Qual é o seu nome? — indagou outro de cabeça achatada e nariz gordo. — É verdade que você nunca tinha estudado em uma escola? Sorte a sua!
As perguntas vinham atropeladas umas pelas outras, foi quando um deles — aparentemente o líder da turma que não gostava que toda a atenção estivesse no aluno novo — cruzou os braços e deu um passo à frente:
— Pode ter certeza que vão te chamar para o exército, esquisitão — falou o garoto que usava uma bandana na cabeça para esconder a franja, ele estava de camisa azul com manga longa e usava luvas, mesmo estando abafado lá fora. Apesar de estarem na mesma classe, ele também parecia ser um ano mais velho que os demais.
— Mas é isso mesmo que eu quero — Ralph confirmou com a cabeça. — Entrar no exército e me tornar um guerreiro Classe S!
— Com essa espada de madeira boba? — o garoto retirou Lignum da bainha sem que Ralph percebesse e a apontou em sua direção. — Isso aqui não consegue nem fazer cócegas!
As crianças abriram um círculo ao redor dos dois, algumas riram e outras se preocuparam. Foi neste instante que uma mulher entrou na sala carregando alguns livros debaixo do braço esquerdo e um longo cajado na outra mão. Ela viu a cena nos fundos da classe e não gostou nem um pouco. Com o simples mover do indicador, a espada de madeira começou a levitar enquanto Ralph tentava desesperadamente recuperá-la. Ele ficou de pé sobre seu acento e foi saltando de mesa em mesa até arranjar impulso para pular e agarrá-la no ar, onde acabou dando de cara com a professora que devolveu-lhe um olhar severo por trás de seus óculos finos na ponta do nariz.
— Ninguém brinca com armas em nenhum lugar dentro de minha sala de aula. Nem mesmo uma representação delas.
— D-desculpa... — Ralph falou todo encolhido.
Imediatamente os outros alunos se dispersaram e voltaram para seus lugares. A professora caminhou até sua mesa e deixou os livros ali em cima, apoiando o cajado num dos cantos próximo à lousa.
Ela era bem alta e tinha um porte elegante apesar da idade. Vestia roupas formais e um chapéu pontudo verde que lhe cabia muito bem, mas tirou-o por causa do calor. Ela era ruiva, com cabelos bem longos presos em um coque que lhe davam uma impressão de seriedade e dedicação quando combinados com os óculos. Seus lábios eram bem desenhados e, pela maneira como a sala inteira aquietou-se, concluía-se que ela era respeitada — ou talvez muito brava.
Podia não parecer, mas um dos alunos espalhara que ela já tinha mais de quarenta anos. Seu nome era Clover, uma das turmas antigas a apelidaram de “Trevo da Má Sorte”, porque ela adorava usar acessórios com o formato de trevos de quatro folhas para insinuar boa sorte nas provas e depois acabava reprovando metade da sala. Quando as notas chegavam, não havia quem os salvasse. Tudo estava nas mãos de Bad Lucky Clover.
— De quem é essa espada? — A professora perguntou uma única vez, por mais que já soubesse a resposta. Ela examinava os detalhes do equipamento com cuidado quando Ralph ficou de pé em sua frente.
— É minha, professora!
Clover riu. Achou que demoraria um pouco mais.
— A direção não permite este tipo de objeto em sala de aula. Vocês estão aqui para aprender, e não para treinar.
— É que ela é especial.
Clover revelou um sorriso de canto, compadecida com a inocência da criança. Segurou a espada pelo cabo e devolveu-a para seu verdadeiro dono.
— Acredito que realmente seja.
Quem esperava uma advertência logo no primeiro dia acabou se decepcionando.
— Muito bem, turma, acredito que já tenham conhecido nosso novo aluno. Este é o Ralph, ele veio do Vale dos Ventos e recebeu uma educação diferente da de vocês. Peço que se enturmem com ele e o ajudem a se adaptar, estamos entendidos? — disse Clover de forma breve, sem dar maiores detalhes. — Agora, eu gostaria que você se sentasse próximo à lousa, para que eu fique de olho em você. A introdução foi feita ontem, então vou ter de pedir para você copiar a lição do caderno de alguém, está bem?
Ralph concordou com a cabeça. Não compreendia porque todos tinham tanto medo da Sra. Clover. Para ele, seus trevos sempre trouxeram boa sorte.
— Hoje vamos começamos a discutir as quatro grandes raças do reino. Continuaremos falando sobre os geckos.
Ralph tentou participar das chamadas e enturmar-se, mas não se saiu tão bem quanto gostaria. Ele estava obviamente mais atrasado que os demais, era como se tivesse ficado recluso durante anos.
Clover ergueu o indicador de forma que um pequeno giz levitasse até o quadro negro e começasse a escrever sozinho. Enquanto um lado da lousa fazia as anotações sobre a aula, o outro rabiscava desenhos que ilustravam perfeitamente o assunto a ser tratado. Clover não precisava tirar os olhos de seus alunos nem por um segundo, pois ficava encantada com os maravilhados das crianças diante de seus poderes mágicos.
— Gecko é nome dado à espécie de homens-lagartos que representam uma das quatro principais raças que dominam nosso reino — explicou a Sra. Clover, apontando para o quadro negro com a ponta de seu cajado. — São naturalmente hábeis guerreiros, rápidos e astutos como caçadores, mas também um pouco precipitados em suas decisões. Algum de vocês já viu ou conviveu com um gecko?
— São horríveis! — disse uma menina.
— Meu tio falou que são muito perigosos e agressivos — respondeu outro. — Sorte que eles não podem entrar na cidade e ficam presos nos subúrbios.
Ralph apontou para os desenhos na lousa e gritou:
— São os meus pais!
Toda a sala de aula riu do comentário dele, mas Ralph não entendeu o motivo. Clover piscou ligeiramente. Então era verdade. Teria mesmo de ficar de olho naquela criança.
Quando o sinal soou às dez e meia, as crianças correram para fora, aliviadas com os trinta minutos de intervalo que teriam para descansar. Clover ficou dentro da sala observando o pátio de relance quando viu Ralph subir na fonte de pedra e esticar os braços para o alto.
Alguns de seus colegas riram, pois o achavam muito estranho.
Quando ele enfim sentou-se e ficou parado, a professora apoiou-se no vão da janela e moveu seu indicador, como se insinuasse que ele se aproximasse.
— Posso ajuda-la, Profª Clover? — indagou Ralph, meio receoso de levar alguma bronca por algo que nem sabia se tinha feito.
— O que exatamente você está fazendo aí fora?
— Guardando calor, que nem os geckos fazem. Lagartos têm o sangue frio.
— Muito bem, vejo que prestou atenção na aula — Clover respondeu de forma meiga, mas sabia que não poderia simplesmente incentivá-lo a acreditar naquilo. — Mas você não é um lagarto, sabe disso, não é?
— Sei, sim. Mas é assim que fui criado, eu não tenho vergonha do que aprendi. O sol faz bem pra todo mundo, a senhora também disse que ele é cheio de vitaminas, né?
— “Uma substância essencial para o corpo humano, sua ausência pode proporcionar uma série de complicações.” — Clover revelou um sorriso gracioso, admirada com o fato de que ele realmente tinha prestado atenção nas aulas, apesar de parecer sempre aéreo e estar mais impressionado com o giz voador do que a matéria em si. Ele se esforçava do seu jeitinho, mas vinha fazendo o possível.
Ralph podia pensar ser o que quisesse enquanto isso não intervisse em seu crescimento. Já deveria estar bem acostumado a longos discursos de adultos que tentavam impor algo em sua mente.
— Ouça, querido — Clover falou de uma maneira que o lembrava de sua mãe. — Um dia você será capaz de aprender técnicas de batalha avançada e até algumas magias, caso tenha aptidão. Não importa se você é menino ou menina, um gecko ou até um monstro; o que você escolher ser, assim será. Então quero que saiba que, se precisar de algo, você sempre poderá recorrer a mim, tudo bem?
— Tudo bem! — o menino falou contente antes de ir embora. — Senhora, é verdade que você traz sorte para os seus alunos?
— Você deve se considerar afortunado todos os dias, Ralph, da Espada de Madeira. Você é bonito, saudável e tem pessoas que se preocupam com seu bem estar. Além de ter um sorriso lindo — ela falou ao dar um puxão em sua bochecha. Geralmente era vista muito concentrada em seus afazeres e raramente lembrava-se de sorrir, mas Ralph adorava conhecer aquele lado descontraído de sua professora.
— Quando eu crescer, quero que você entre no meu time.
— Como assim? — Clover pediu que ele repetisse.
— O meu time dos sonhos. Das pessoas que vão mudar o mundo comigo. Vou te esperar!
Ela concordou com um aceno gentil e Ralph virou-se para ir embora.
— Só pare de me chamar de senhora! Eu me sinto mais velha do que já assim.
— Velha? Para mim a senhora só tinha uns vinte anos!
Os dois riram e Ralph correu pelo pátio para tentar brincar com as outras crianças. Ele continuou o período do intervalo inteiro retendo calor perto da fonte porque mais ninguém teve coragem de conversar com ele naquela manhã.

i

Ralph parecia adaptar-se bem à vida em New Times. Seu dormitório ficava perto do refeitório, o que era uma benção, seria fácil fazer um lanche rápido caso a fome batesse de madrugada.
Ele teria de compartilhar espaço com outros três garotos da sua turma com quem esperava fazer amizade, mas no instante que entrou no quarto foi pego de surpresa por um balde de água fria preso em cima da porta. Por reflexo — ou simplesmente sorte — o balde caiu bem em frente à ele e somente os respingos molharam parte de sua armadura de papelão que o salvara da água. Os outros três garotos estavam prontos para rirem até chorar, mas logo seu trote com o novo companheiro revelou-se uma decepção.
— Por que vocês tentaram me molhar? Eu estou cheirando ruim? — perguntou Ralph, cheirando sua camisa em baixo do braço. — Eita, credo, estou mesmo precisando de um banho! Obrigado por me avisarem.
Ralph carregava apenas uma mochila, era de se impressionar que todos seus pertences coubessem ali dentro. Ele colocou-a em cima da cama vazia, retirou as botas apertadas e procurou relaxar após um longo dia de estudo.
Os três garotos já eram conhecidos seus da sala de aula.
— Tá brincando que o menino lagarto vai ficar no nosso dormitório? — disse o mais gordinho. Seus amigos o chamavam de Bomba porque ele conseguia derrubar qualquer um no pega-pega, ainda mais quando pegava impulso e se jogava em cima dos outros nas brincadeiras de lutinha. Estava sempre vestido com uma boina azul, um lenço no pescoço e os suspensórios para segurar sua barriga.
— Pensem pelo lado positivo, podia ser um grandão que ia bater na gente — respondeu o segundo, um magricela que poderia ser levado pelo vento em caso de tempestade.
Ele era o mais alto da turma, mas compensava por não ter músculo nenhum; o jeitão desengonçado acabava sendo cômico porque ele andava meio corcunda e com o pescoço voltado para frente, os dentes da frente eram mais protuberantes sem contar o espaço entre os incisivos frontais que deixavam uma janelinha; atendia pelo apelido de Dello, porque existia uma espécie de monstro em Sellure chamado Dellonium que eram pequenas plantas com corpo fino e cabeças de fruta enormes.
— Eu só quero saber quem é que vai limpar esse chão agora que o nosso trote não teve graça alguma — respondeu o garoto que acabara se encrencando com Ralph no primeiro instante que o viu. Era o mesmo de luvas e bandana, seu nome era Claus e ele não tinha apelidos — talvez o respeito afastasse qualquer um de inventar um nome tosco com o intuito de ofendê-lo — e também não tinha nenhum traço marcante. Era um garoto qualquer.
Claus acenou para Ralph de longe, mas não se levantou para cumprimenta-lo.
— Dá pra tirar essa armadura de papelão? Ninguém vai te bater aqui, cara. Não estamos muito a fim de encarar uma advertência, perde a graça na terceira ou quarta vez — falou Claus.
— Vocês estudam aqui faz tempo? — Ralph perguntou.
— Meus pais estão na guerra e não têm muito tempo para cuidarem de mim, por isso fico aqui na escola para estudar, mas nos fins de semana costumo voltar para casa — respondeu Dello. — Já moro na escola faz uns três anos, até os professores me chamam pelo meu apelido Dello e concordam que eu me pareço com um.
— Tive que vir pra cá recentemente. Minha mãe sempre deu tudo que eu pedi, mas algumas tias disseram que isso me tornou mimado e que eu precisava aprender a me virar sozinho — respondeu Bomba, deitando-se em sua cama de braços esticados. — Mal posso esperar para que esse ano acabe logo... Tipo, não que eu não goste de vocês, mas é que sinto saudade da minha casa.
— Isso é muito bacana. Todos vocês têm histórias e motivos para estarem aqui! Nós somos como um time de guerreiros renegados — falou Ralph com entusiasmo, o que fez os demais rirem. — E você, Claus? Me conte sobre você;
— Acho que sou só um cara misterioso— respondeu Claus com um sorriso de canto.
— Ah, ele está tentando pagar de anti-herói! — Bomba o entregou, o que fez o garoto ruborizar de vergonha. — Apesar dessa cara de malvado, o Claus é super gente boa. Está sempre cuidando da irmã mais nova e adora música.
Claus o fuzilava tão intensamente com o olhar que fez Bomba esconder-se por baixo de seus cobertores. Vendo que não teria outra alternativa, decidiu enturmar-se.
— Na real, não tenho muita coisa para contar sobre minha vida, só que minha mãe é uma chata e me mandou estudar aqui com minha irmã para ter uns tempos de tranquilidade. Eu gosto sim de música e tento tocar violão. Também gosto de educação física e sou terrível em matemática. É isso... Acho que sou só um garoto normal sem grandes expectativas.
— Ah, qual é, todo mundo é único! — respondeu Ralph. — Ainda não o conheço muito bem, mas vou descobrir algo que o torne especial.
Era possível ouvir o som dos grilos lá fora. Por mais que a paisagem da janela não fosse tão bonita quanto no Vale dos Ventos, Ralph estava feliz por morar em um lugar agradável como New Times. Podia dizer que sentia-se em casa.
— Ei, não me leve a mal pela pergunta, mas... é verdade que seus pais são geckos? — perguntou Claus.
— Ouvi dizer que eles comem gente quando passam fome — afirmou Bomba.
— Às vezes eles comem insetos e outros animais menores, mas nunca vi nenhum gecko atacar humanos. Pelo menos eu estou inteiro — respondeu Ralph com uma risada. — Bem, meus pais são geckos, sim, mas quem contou para vocês?
— Fomos informados ontem. Disseram para nos enturmarmos com o colega novo, como se você precisasse de cuidados — disse Claus, meio constrangido. — Foi mal por pegar sua espada. Acho que eu só estava tentando chamar atenção, e... achei bizarro seus pais serem geckos. É, tipo, muito bizarro.
— Vocês moravam em uma caverna ou no topo de uma árvore? — perguntou Dello.
— Claro que não, moramos em casas normais como qualquer outra. Tudo bem que as nossas são um pouco mais simples, trabalhamos nela com madeira e palha, reforçando as paredes com pedras e barro para que resistam aos ventos fortes no período da tarde. Alguns gostam de usar fogo e lampiões depois que anoitece, mas também temos energia elétrica, pode acreditar!
Bomba e Dello viam em Ralph uma figura extremamente inusitada. Estavam felizes por estarem no mesmo dormitório com alguém tão diferente, poderiam passar a noite inteira conversando e compartilhando histórias, mas Claus ainda parecia receoso com a companhia.
— Geckos são uma raça horrível — ele respondeu de braços cruzados. — Como você pôde receber cuidados deles? São como animais que não se importam com os outros, ainda mais se forem de outra espécie.
— Não os meus pais. Sempre recebi muito carinho e afeto, sem contar que minha mãe faz um pão com mortadela delicioso!
— Vocês deveriam ficar longe de qualquer um que fez contato com geckos. Não dá para confiar neles.
         Claus negou várias vezes com a cabeça antes de se levantar e sair. No caminho ele escorregou no chão ainda molhado pelo balde de água e quase levou um tremendo tombo, mas conseguiu apoiar-se no encosto da porta. Ele ergueu o queixo e marchou sem olhar para trás, tentando manter o resto de dignidade que lhe sobrara.
Ralph não compreendia aquela rixa antiga entre humanos e geckos, mas compreendia que Claus deveria ter um bom motivo para odiá-los. Se conhecesse algum gecko que realmente valesse a pena, como seus pais, o carteiro ou o ancião da vila talvez fosse convencido do contrário.
— Vamos atrás dele, está quase na hora do jantar — falou Bomba.
— Você só pensa em comida, cara... — respondeu Dello.
— Tem razão. Primeiro jantamos, depois vamos atrás dele.

Às oito horas o jantar era servido. Havia frutas, pães, queijo e leite que era servido em uma mesa à disposição dos alunos e professores que passavam a noite na escola. Ralph reconheceu muitos daqueles alimentos das fazendas de seus pais, não duvidava que a comida servida na cidade fosse fruto de seu esforço, aquilo só fez com que a refeição ficasse ainda melhor.
Adorava a comida de sua mãe, mas também não escondia a felicidade em provar de algo diferente. A escola tinha requeijão e cereais que não se encontrava com tanta facilidade na vila, além de serem mais caros. Após preparar sua bandeja com tudo que tinha direito, ele estava para ir sentar-se com seus colegas Bomba e Dello quando ouviu alguém chama-lo.
— Não acredito que você está aqui! — era a voz de uma garota. — Ei, Ralph! Olhe para trás, seu cabeção!
Ele apressou seu passo, mas sentiu alguém puxá-lo pela gola da camisa. Era a garota que o perturbava no vilarejo e também filha da padeira. Seu nome era Nefele, uma garota de quatorze anos, com o cabelo castanho repicado e toda agitada, quase não conseguia parar num mesmo lugar.
— O-oi, Neffie...
— Eu não sabia que você também seria mandado para New Times! Está com quantos anos, dez? Isso é ótimo, agora posso encher seu saco aqui também. Tem passado na padaria para visitar a minha mãe? Ela fica tempo demais sozinha, espero que esteja bem.
Os ouvidos de Ralph já se cansavam, poderiam colocar um espantalho em seu lugar que Nefele falaria sozinha. Sua mãe o ensinara a ser educado em todas as circunstâncias, mas algo simplesmente o afastava daquela garota.
— Estou sentado ali com meus amigos, se me der licença...
— Ah, não, você vai ficar com a gente! — respondeu Nefele, puxando Ralph para a mesa das veteranas. Todas elas eram mais velhas do que ele, dentro de alguns meses seu tempo na escola acabaria e elas seriam enviadas para as academias de treinamento espalhadas pelo reino, logo, esperavam aproveitar ao máximo.
Ralph precisou espremer-se entre Nefele e outra garota com coxas largas. Elas eram todas muito bonitas; loiras, morenas, altas e cheias de maquiagem, mas seguiam um padrão de beleza parecido. Elas mandavam naquela escola como se fossem donas dela, falavam alto e ninguém se importava.
— Olhem só o que eu achei — Nefele acariciou o cabelo de Ralph e suas amigas se encheram de interesse.
— Ohhhhh! — As garotas emitiram o mesmo som de fascínio juntas. Ainda nem o conheciam, mas já enchiam o garoto de carinho e interesse. — Ele é o seu irmãozinho?
— Nem, é só um dos garotos do Vale. Um dos poucos humanos de lá na verdade, na maior parte do tempo só vemos geckos, mas é sempre bom ver um rosto humano por aí. Ninguém merece olhar para aquela cara feia dos geckos o dia inteiro — respondeu Nefele. — Estou pensando em adotar ele como meu capacho.
— Essa é uma ótima ideia, Neffie. Ele poderia ser o capacho do nosso time — respondeu outra loira.
— O que exatamente é um capacho? — perguntou Ralph.
— É bem simples, vou tentar te explicar da maneira mais óbvia para você entender, já que você é meio lerdinho.
 Nefele pegou o copo de suco da bandeja de Ralph e jogou-o no chão propositalmente.
As conversas paralelas e burburinhos no refeitório cessaram. Alguns viraram o rosto e outros tentaram dar uma espiada. Ralph olhou para sua bebida desperdiçada enquanto Nefele continuava com as mãos na cintura, sem mover um músculo para ajuda-lo.
— Agora você pega e limpa.
Ralph deixou sua bandeja sobre o balcão e agachou para limpar o que havia sobrado de seu suco de laranja. Quando terminou sua tarefa, ainda não havia entendido o que era um capacho.
— Você faz o que os outros mandam, ainda não entendeu? — Nefele argumentou com a voz autoritária. — Simples, não é?
— Mas eu limpei o chão porque estava sujo, e precisava ser limpo. Não tem nada a ver com mandarem, tem a ver com... bom senso, atitude e humildade, eu acho.
As outras garotas riram da inocência do garoto.
Dessa vez Ralph sentiu alguém puxá-lo pela mão, tanto que nem teve tempo de pegar sua bandeja de volta. Claus surgira de algum lugar e fizera questão de tirá-lo dali, só queria vê-lo longe das veteranas que adoravam aproveitar-se dos novatos na escola para satisfazerem suas vontades. Dava para sentir a textura da luva Claus apertando-o tanto que chegava a machucar.
— Onde estamos indo? — perguntou Ralph com inocência.
— Você tem muito a aprender — respondeu o garoto.


  12 comentários:

  1. Tirando a parte dos Geckos ,a infancia do Ralph foi bem normal , o Claus ,o ~Para Dançar Isso Aqui é ~ Bomba e o Dello me parecem ,interessantes

    Uou ,então essa é a maga que vai ser protagonista no próximo livro ? E essas adolescentes tentando usar o Ralph de todas as maneiras ? Parece que a Auria está cada vez ganhando mais rivais

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cara, para ser sincero eu reescrevi esse especial inteiro nesses últimos dias. Quando pensei pela primeira vez nessa história foi para tentar desenhar um mangá baseado no Ralph junto com a Nyx, então deveria ser uma one-shot. Tenho esse arquivo guardado desde Fevereiro de 2015! Na primeira versão aqueles temas bem clichês como bullying, os três colegas do Ralph ficariam enchendo o saco dele por sua aproximação com geckos, mas quando parei para reler tudo achei tão... bobo kkkkkkk

      Nessa nova versão o Ralph é perfeitamente normal. Eu diria que ele só é meio disléxico, por isso aprende tudo mais devagar kkk Mas fora isso não tem nada que o torne diferente ou especial. Ele receberá muito carinho da Professora Clover e desses novos amigos, a ideia era que eles nem fossem importantes, mas já pensei em umas ideias fodas de inseri-los no segundo livro!

      A ideia era inserir a Clover no time dos protagonistas, no futuro ela ainda será a maga do Ralph, mas até lá preciso decidir algumas coisas kkkkkkkk Pelo menos a aparição dela está confirmada, cinco anos terão se passado, até lá veremos como estão essas adolescentes safadas, o Claus e os demais. Trata-se de um especial bem tranquilo, mas de vez em quando esse ritmo de escola faz um bem danado. Bate uma saudade :')

      Excluir
    2. E a propósito, menino Donnel, imagino que você esteja jogando Fire Emblem: Heroes pro celular. Manda seu Friend Code aqui pra eu te adicionar e me conta qual é o seu time! Espero que tenha o Donnel 5-estrelas nele kkkkkkk Tô viciadão, cara, já beirando o Lvl. 40.

      Excluir
    3. - 9384892220 -

      Eu bem que queria ,só que eu só consegui o Donnel no mapa extra ,que vem com apenas 2 estrelas ( Isso por que eu fui no Hard ) ,não sei se conseguirei deixar ele com 5 estrelas ,mas irei tentar ,a sorte não está vindo como eu quero ,eu queria o Hector 5 estrelas ,veio a filha dele com 5 estrelas

      Excluir
    4. Pô, mas a Lilina também está muito forte! O importante é ter uma galera 5-estrelas pra detonar nos duelos kkk Até agora só peguei o Jeorge 5 e já gastei quase todas minhas orbs disponíveis no jogo, vou segurar umas 40 até lançarem os jogos do Ike, o Sacred Stones ou mais personagens do Rekka no Ken.

      Eu queria muito, muito, muito a Lyndis e o Hector, mas acabei ficando com um Eliwood kkk Dei sorte de pegar uma waifu Camilla também, mas nada da Hinoka. O que apareceu de bom para você? Espero que lancem os caras da Black Fang, ou que pelo menos dê pra pegar a Ursula, porque é impossível tirar ela no summom :( Bom, já te adicionei aqui! Só aceitar o velho Canas kk Abraços!

      Excluir
    5. Eu estou esperando pelos personagens de Jugdral (Fire Emblem 4 e Fire Emblem 5 ,eu estava revendo esses jogos e vi o quanto eles são profundos e merecem o titulo de melhores Fire Emblem em historia ,eu ainda não zerei o 5 ,mas o 4 eu já fechei umas duas a três vezes e recomendo ) , os Fire Emblems recentes são conhecidos como Waifu Emblem ,então não é muito dificil conseguir uma Waifu

      Hector é o personagem que eu mais quero ,ele é empatado com Sigurd é o Lord que eu mais gosto da franquia , outro personagem que eu quero é o Wrys (http://fireemblem.wikia.com/wiki/Wrys ) e os personagens principais do Fates ,menos a Azura e o Corrin ,eu não gosto deles

      Excluir
    6. O Wrys? Achei que ninguém gostasse desse cara, peguei ele outro dia no summon, mas nem toquei no cara kkk Eu nunca cheguei a jogar os FE antes da Lyndis, mas se você diz que a história do 4 e do 5 são boas então vale o investimento! Estou morrendo de vontade de jogar um dos clássicos, ainda nem terminei meu Fates no Conquest, mas pensei mesmo em começar o do Roy de novo... Só não sei se estou preparado para ver todos os personagens que gosto velhos e morrendo D:

      A galera do Fates seria legal mesmo. Acho que a essa altura qualquer personagem 5 estrelas iria me servir bem, ainda não sei se upo a Nowi e a Fae para o 5 ou se pego alguns menores e vou transformando em 4. Bom, pelo menos o jogo está me divertindo à beça!

      Excluir
    7. O Wrys é tipo o Moulder ,só que muito inferior ( Se você não sabe ,o Moulder do Sacred Stones 8 é meio que um meme ) ,eu quero usar ele como healer só por isso mesmo

      Pouquíssimos personagens do 7 aparecem no 6 ,mas o Bartre e o Karel são jogáveis ( O Bartre é opcional e o Karel tem um dos melhores Growths da série inteira) ,eu não cheguei a zerar o jogo ,mas é o mais dificil entre os de GBA ( E usa a RNG antiga ,ou seja , os números não importam tanto assim ,tipo ,35% vai te acertar e 90% vai errar )

      Excluir
  2. Hey Canas! Acabo de entrar aqui e BAM! Vejo que tu fez mais um O Passado dos Personagens, que por sinal ficou bem bacana, viu?

    Gostei bem do que fez, mas eu tenho a impressão de que não só eu, mas tu também deve ter pensado em um RalVer ou Clolph. E Canas porque estou imaginando que o Ralph FUTURAMENTE será aquele cara que tem um monte de garotas aos seus pés e não se dá conta disso?

    Mudando de assunto, eu vim pedir uma coisa de você, e é muito séria... Lembra que você disse em um comentário que a melhor coisa que tem é ver os personagens comendo panquecas de café da manhã? Pois então, creio que seria bom se você fizesse um support com esse tema.

    Tenho de te dar uma notícia bastante triste, já que estou falando do Ralph: eu tinha começado um gif com ele pulando o portão da escola (referência ao cáp 2, ou 3), mas eu achei que ficou tão sem graça que desisti. ;-;

    ;-;, falando em tristeza, eu estou bem triste, pois vejo todo mundo comentando um monte de jogo, em principal Pokémon Sun e os jogos da série Fire Emblem, e outros até já mais antigos, como o Super Smash Bros for 3ds, e acontece que estou sem nenhum deles, embora logo minha animação volta, afinal, juntei uma grana pro Pokemon Sun.

    Obs: Eu tava lendo os comentários acima e aqui, realmente o 4 e o 5 da série Fire Emblem são muito bons, estou jogando atualmente e gostei bastante, altamente recomendado pra quem curti.

    Obs2: Aparentemente o aniversário do blog é em algum dia de Abril. Estou falando por causa da chance de você fazer um crossover Sinnoh X Sellure

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Diga ae, Sir! Logo mais tem a continuação, a princípio a ideia era fazer um único capítulo, mas eu queria muito explorar um pouquinho mais da Profª Clover, até porque nem sei quando terei essa chance no livro kkkkkk Não é só impressão que rola certo ship entre eles, eu adoro esses dois juntos! haha. Acho que isso fica ainda mais descarado nos dois próximos capítulos, onde pretendo explicar um pouco do passado da Clover e o que a faz se interessar tanto pelo Ralph. Mas acho que isso fica evidente mesmo porque o Ralph é do tipo que sempre precisa ter alguém cuidando dele, como a Auria e a Clover, sem contar que a maioria dos meus casais são com mulheres mais velhas kkkk.

      Cara, por coincidência ontem mesmo eu estava desenhando uns fanarts e me veio a ideia de fazer uma reunião dos personagens com direito a pizza, jogos e refrigerante! Infelizmente não eram panquecas, mas eu lembro de ter citado isso porque um dos meus capítulos favoritos do livro é uma cena onde eles estão cozinhando panquecas. Vou tentar acabar o quanto antes. Panquecas já estão garantidas, mas um support desses também seria muito bem vindo.

      Pô, esse gif ficaria muito maneiro! Lembro até hoje que minha irmã ficava me enchendo o saco dessa cena dele pulando, dizia que era muito infantil, mas eu acho a cara do Ralph kkk

      Cara, é uma lista boa de jogos, vá comprando aos poucos e aproveite que ainda está fácil de achar jogos de 3DS. Pense pelo lado positivo, você não pagou o preço mais alto na estreia que nem a maioria (tipo eu kkkkk). Cada um desses jogos dá pra ir umas 100 horas fácil!

      Rapaz, e acredita que eu não sei quando é o aniversário de Sellure? Eu não conto porque já deve ser o terceiro ano e eu mal completei 5000 visitas, é meio decepcionante kkkkkk Mas olha só, Sinnoh e Sellure até combinam nos nomes, estou devendo esse crossover faz um tempão! Vou ver se surge alguma ideia :D

      Excluir
    2. KKKkkk, eu sabia que tinha mais alguém que apoiava o ship!

      Ué, porque você simplesmente não usa as fanarts para um support ou algo assim?

      Fala pra sua irmã que até pode ser infantil, mas que se trata de uma característica da personalidade do personagem esses pequenos detalhes, obviamente perceptíveis ao longo da história. É o que dá vida à ele e introduz à nós os diferentes aspectos e facetas dele.

      Sobre os jogos, é, pelo menos isto tem alguma vantagem.

      Pra finalizar, cara, depois acho que você poderia olhar lá na "tela de edição" pois há altas chances de você achar a data de fundação do blog lá. E pergunta, você lembra qual o aniversário de Sinnoh?

      Excluir
    3. Eu já encontrei a data cara, é dia 24 de Abril de 2015, então Sellure está prestes a completar seu segundo ano. Já o blog do Aventuras em Sinnoh é 17 de Maio de 2011, quase 6 anos, sendo que na verdade a fic mesmo começou em 20 de Maio de 2010, então são praticamente 7 aninhos com essa galera! Estou ficando velho kkkkkk

      Já vou até aproveitar as minhas fanarts para a capa da Parte 2, com direito a Ralph e Clover juntos kkkkkkk Poxa, eu tinha que ter colocado ela desde o primeiro livro, vai ser difícil aguentar até o segundo :') Pelo menos a galera que acompanha o blog vai ter direito a alguns extras dessa maga. Vai ser igual a Sinnoh, apesar de ter uma participação secundária na trama ela vai brilhar nos Supports que nem Jade e Yoshiki!

      Excluir

Menu Principal






Menu Secundário






Companheiros de Aventura

Estatísticas


POSTAGENS
COMENTÁRIOS

Guardiões da Ordem (Parceiros do Mês ♫)

PARCEIROS

Toda Clássica Animes Aki

Tecnologia do Blogger.

Comentários Recentes