sábado, 30 de abril de 2016

Auria, Dama de Ferro


"Eu queria que as pessoas parassem de me proteger como se eu fosse uma florzinha em um vaso de vidro, uma bonequinha de porcelana, a princesa em perigo do castelo. Eu queria poder lutar e defender a mim mesma e aos outros, os que realmente precisam. Auria, Capítulo 4.

Auria é uma garota forte e de personalidade destemida. Estava há três anos na academia de treinamento na Vila das Pérolas, mas não tinha ideia de qual seria a sua vocação escolhida para os cursos de especialização e julgava-se menosprezada. Sendo parte de uma família rica e influente em Century, Auria por muito tempo hesitou em mudar. Esteve presa por muito tempo às regras do reino, a decisão súbita de aventurar-se pelo mundo e buscar sua própria identidade veio quando um garoto estranho de cabelos avermelhados surgiu em sua vida.

Alta, de porte físico avantajado e cabelos negros, Auria é uma verdadeira guerreira junto de sua armadura mágica que a protege dos inimigos. É orgulhosa, imprevisível e decidida  por vezes teimosa e até desleixada. Costuma ser reservada ao lado de estranhos, mas não esconde sua devoção total aos que lhe são especiais, escondendo um coração bondoso e sempre disposto a ajudar.

Sonha em tornar-se general dos exércitos e guiar seu povo à vitória.


  • Super protetora [Habilidade Passiva] – Automaticamente coloca-se em frente aos seus companheiros quando estão em perigo ou em uma situação de risco;
  • Sorte Inesperada [Habilidade Passiva] – Pode resistir a um ataque fatal com 1 HP;
  • Resistência+ [Habilidade Passiva] –  Não pode ser atordoada por oponentes de nível inferior ao do usuário. Danos mínimos muitas vezes são ignorados;
  • Armadura Mágica [Defensivo] – Diminui pela metade todo dano que recebe de espadas, lanças, machados, golpes físicos e flechas (com exceção de magias);
  • Liderança Defensiva [Defensivo] – Garante um bônus em defesa para seus companheiros durante a batalha;
  • Contragolpe [Defensivo] – Revida o golpe do adversário com duas vezes mais intensidade;
Se realizar sonhos fosse fácil, o mundo não estaria repleto de sonhadores.
— Auria, Capítulo 2.

"Esse destino idiota sempre aparece na minha frente me impedindo de fazer o que quero."
— Auria, Capítulo 4.

"Por que se esforça tanto para ser legal comigo?"
— Auria, Capítulo 5.

  • Auria sempre teve breves aparições nos primeiros gibis do autor, porém, ela nunca saía em nenhuma aventura junto de Ralph e era frequentemente raptada. Apesar de sua função ser a garota em perigo, em todas as histórias Ralph acabava se esquecendo dela e mudando o foco de sua busca. No fim das contas, Auria precisava se salvar sozinha; 
  • Seu primeiro nome foi Aleafar (sacou a referência?); 
  • Antes de usar escudos e concentrar-se na área defensiva, sua arma principal era o arco e flecha
  • Auria tem astigmatismo e precisa usar óculos, o que é mencionado algumas vezes durante a história;
  • Nos gibis, o cabelo de Auria era azul.
Quando o livro for lançado iremos realizar uma cerimônia para que os leitores votem no seu personagem favorito durante a aventura! Serão dez categorias com diversas indicações baseado no feedback que vocês derem ao autor, é a sua chance de demonstrar seu apoio aos personagens, e quem sabe até mudar o futuro deles.

Ainda não há uma data definida para a estreia, mas a famosa cerimônia só acontecerá após o lançamento do livro. Continue de olho no blog para maiores informações!



sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ralph, da Espada de Madeira


"O título é como as pessoas te conhecerão e respeitarão. Eu sou Ralph, da Espada de Madeira, pois é assim que eu quero ser lembrado pela história."  Ralph, Capítulo 2.

Ralph é um jovem criado por uma família de geckos em um vilarejo humilde conhecido como Vale dos Ventos, na província de Helvetica. De aparência inocente e sempre entusiástica, não se separa de Lignum, sua espada de madeira que esconde mais segredos do que aparenta.

Extremamente sorridente e receptivo, Ralph traz muitos traços da raça dos lagartos como mover-se com agilidade e preocupar-se com o ambiente. Apesar de não gostar de ler, diz-se um imenso apreciador de histórias, adora ouvi-las e compartilhá-las  por isso está sempre disposto a conhecer novas pessoas e torná-las parte de sua vida. Ralph esconde um coração bondoso e carente, não pensa em duas vezes em auxiliar alguém mesmo que muitas vezes não seja o correto. Valoriza a amizade mais do que tudo em sua vida. Sua aventura se resume à encontrar um sentido para quem está perdido, e isso o leva a buscar outras pessoas que compartilham deste desejo. Quando a vida o empurra para baixo, Ralph é uma daquelas pessoas que consegue dar a volta e encará-la da melhor maneira possível.


Ralph é o protagonista da história, logo, é de se esperar que ele esteja em praticamente todos os lugares do livro. Porém, há determinados Capítulos Especiais que visam contar um pouco sobre o seu passado, assim como os famosos Supports que têm o intuito de compartilhar apenas cenas do cotidiano que não interferem no enredo, os famosos fillers. Segue abaixo a lista:



  • Adaptabilidade [Habilidade Passiva] – Seus status tendem a mudar dependendo das vantagens e desvantagens de seu adversário;
  • Aluno Exemplar [Habilidade Passiva] – Adquire níveis de experiência mais depressa;
  • Defensor da Família [Habilidade Passiva] – Aumenta consideravelmente sua força quando luta ao lado de um familiar ou amigo próximo (% aumenta dependendo da quantidade de companheiros em batalha);
  • Pacifista [Habilidade Passiva] – Ao derrotar um adversário pode convidá-lo para seu time;
  • Liderança Plena [Defensivo] – Garante um bônus de todos os status para seus companheiros durante a batalha;
  • Quebra da Realidade [Ofensivo] – Desconhecido.
"Nós já temos muitos heróis no mundo, mas isso não é motivo para que eu desista."
 Ralph, Capítulo 4.

"Você é bem estranho mesmo. Ou melhor, eu diria peculiar. Sua forma de falar, suas atitudes... Tudo. A diferença é que isso parece bom vindo de você, consegue entender?"
— Auria, Capítulo 4.

"É uma questão básica de escolher todos os dias, todos os instantes. "
 Ralph, Capítulo 5.

"Eu só quero me divertir e fazer o que gosto [...] Vou lutar para conquistar o que quero. E me ensinaram que eu posso ter tudo que eu quiser, enquanto eu correr atrás."
 Ralph, Capítulo 7.


  • Ralph foi baseado no personagem de mesmo nome do jogo The Legend of Zelda: Oracle of Ages, para o Game Boy Color; 
  • A primeira vez que o autor o desenhou foi para um gibi intitulado "A Lenda da Espada e o Oráculo dos Gêmeos", em 2005, contando a história de Ralph, Lesten e Facade reunindo as Essências do Luar para enfrentar o vilão Dark;

Quando o livro for lançado iremos realizar uma cerimônia para que os leitores votem no seu personagem favorito durante a aventura! Serão dez categorias com diversas indicações baseado no feedback que vocês derem ao autor, é a sua chance de demonstrar seu apoio aos personagens, e quem sabe até mudar o futuro deles.

Ainda não há uma data definida para a estreia, mas a famosa cerimônia só acontecerá após o lançamento do livro. Continue de olho no blog para maiores informações!


sexta-feira, 22 de abril de 2016

FanArt #01 - Star-chan


SOBRE A FANART
— por Star-chan.

Nem sei como começar um comentário sobre uma fanart minha, mesmo fazendo isso várias vezes na época que o Canas escrevia o Aventuras em Sinnoh. Mas cá estamos, inaugurando essa área de fanarts de Matéria. Claro que quando fui convocada para ser a terceira beta eu fiquei extremamente feliz não só por ter acesso ao livro ( que está incrível, por sinal <3), mas também pela confiança que o autor depositou em mim.

Mas falando do desenho em sim, Lee e Hayley é aquele casal secundário que aparece pra fazer todo mundo shippar, é tipo, automático, ou tu shippa ou O mundo te odeia. Se bem que eles são mais OTP, mas não entrarei em detalhes.

Antes de ter acesso ao livro, eu não tinha tanto interesse nos dois, meu foco sempre estava na Auria e no Ralph ( que é um casal incrível também o/), mas quando os dois foram apresentados a história, eu senti como se fosse o casal que eu conhecia desde sempre :33

Claro que quando fiz a fanart eu fiquei nervosa em errar em algo pra não estragar personagens tão incríveis, mas fiquei aliviada quando o Canas elogiou em uma conversa no Skype recente.
Enfim, pros leitores ansiosos, fiquem mais ansiosos, Matéria vai mudar o mundo <3


COMENTÁRIOS DO AUTOR
— por Canas Ominous.

Hey, Star! Temos aqui um vislumbre de quem serão os casais preferidos da galera, mal posso esperar para inaugurar uma área onde possamos votar nos shippings preferidos a fim de eleger quem levará a coroa dessa disputa!

Mesmo que o livro nem tenha sido lançado, ainda nas tirinhas é possível notar que Lee e Hayley têm algum tipo de proximidade forte. Eu, sinceramente, não acredito que consegui explorar todo o potencial deles durante o livro, mas é nessa hora que a leitura complementar do passado deles entrará aqui no blog. Ainda não tenho nada escrito e nem planejado, mas sinto que vai ficar lindo se eu souber explorar bem este lado realista da vida deles, e não apenas a parte fantasiosa. Eles são uma dupla sofrida, e retrarão bem o preconceito que muitos sofrem por simplesmente se enquadrarem em um perfil que não estamos acostumados a ver.

Agora, preciso deixar registrado: ESTE É O PRIMEIRO FANART DA PÁGINA! Ainda nem inaugurei direito como será o recebimento de novos desenhos, mas enquanto for chegando vou ter que ir postando aqui... *risos* Ainda torço para que no futuro nossa galeria no Reino de Sellure supere até mesmo Sinnoh, com seus mais de 150 fanarts recebidos! Um dia chego lá. Conseguimos uma vez, é possível conseguir de novo.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

2 º Revisão Concluída!


No dia 14 de Abril de 2016 registro a conclusão da segunda revisão do livro! Eu costumo chamá-la de versão 3.0 porque de certa forma é a terceira vez que sento para ler o livro inteiro  a primeira foi quando o escrevi e distribui as ideias entre os anos de 2012 e 2015. Dessa vez o número de páginas não alterou muito, fomos de 423 para 433, mas é notável a quantidade de conteúdo que foi excluído e também acrescentado.

Como cheguei a conversar com um leitor nos comentários, foram mais de 60 páginas excluídas só de descrições mal formuladas e diálogos desnecessários. Dentro dessas 60 páginas também foram retirados dois capítulos que não apresentavam nenhuma mudança significativa, o primeiro intitulado "Entre Crianças" que seria um Capítulo 12.5; e o segundo "Criatura das Profundezas" que trazia uma luta épica contra uma Lula Gigante (monstros marinhos são fodas!), que seria o Capítulo 36.5. Aos curiosos,  após a publicação do livro pretendo trazê-los ao blog como um cenas deletadas.

Tendo retirado dois capítulos desnecessários, ganhei espaço para criar um novo arco inteiro, que foi onde entraram os atuais capítulos 24 e 25: "Seus Amigos?" e "Proteja-me". Pude aproveitar para explorar alguns personagens que precisavam de mais desenvolvimento, além de abrir uma brecha para falar do passado deles, o que era de suma importância e eu vinha ouvindo opiniões de que estava faltando. O resultado o tornou um de meus arcos favoritos.

Olha só a diferença de cada versão! Primeiro impresso em folha sulfite e com a tinta preta quase acabando, depois vieram mais alguns capítulos e foi aumentando, e aumentando... até termos o Matéria de quase 430 páginas no word! Céus, espero que não ultrapasse as 500 no formato final do livro...
Eu diria que esta foi a minha revisão mais importante, porque é a hora em que a pedra bruta começa a ser lapidada para tornar-se um diamante. Melhorei muitos diálogos e mensagens importantes, além de eliminar TUDO que me incomodava (eu não poderia publicar um livro e ter aquela cena ingrata que me perseguiria até o fim da vida... sério, eu ficaria sem dormir só de lembrar).

A Star-chan, uma amiga ficwriter de longa data, está sendo uma de minhas betas e tem me ajudado muito nessa jornada. É sempre bom ouvir opiniões, alguns capítulos foram inteiramente reformulados, trouxemos mais shippings,  romance e sintonia entre os personagens, afinal, eu e os personagens estamos mais próximos do que nunca. Sem contar que é apenas a terceira pessoa que leu o livro inteiro, mas o feedback continua sendo muito bom!

Provavelmente ainda teremos uma revisão 4.0 vindo da editora, mas no meu atual nível não há mais o que fazer. Eu teria que contratar os serviço de algum profissional, mas fico tranquilo em concluir o documento e pensar: eu dei o melhor de mim.

E a busca pela editora continua!

Por fim, enviei também o meu original para três outras editoras: A Editora Modo - Selo Novos Autores, Editora Wish e a Novas Páginas. Dessa vez julguei que fosse melhor enviar mais de uma, não porque quero atirar para todos os lados e só depois ver o que acerto, preciso de orçamentos, médias e serviços. Uma dica como autor é que você nunca pode se desesperar, não dá para sair assinando um contrato logo após recebê-lo e achar que tudo vai se resolver. É preciso sentar e conversar com seus pais, as pessoas ao seu redor, e principalmente, ouvi-las! Terminar o livro é só uma das fases. No final a decisão é sua, e você sabe melhor do que ninguém seus limites e o que é melhor para si próprio.

Obrigado pela torcida e todo apoio que me deram no lançamento de meus capítulos inaugurais! Continuem de olho aqui no blog, vamos continuar seguindo nessa longa aventura!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Arte Oficial #05 - Auria, a Dama de Ferro



Minha Auria! ♥ Gosto muito dessa imagem, talvez seja pelo sorriso raro vindo de alguém que não gosta muito de sorrir. Uma curiosidade que vocês devem ter reparado é que a Auria apresentada nos primeiros capítulos ainda tinha o cabelo longo, mas algo a leva a cortar. E ela também não usa nenhum óculos,  mas não enxerga de longe e prefere não usar com frequência - rs.

Acho interessante também como ela perdeu o ar de donzela em perigo para se tornar uma guerreira destemida. Ela ainda tem um lado meigo oculto (bem oculto), e costuma escondê-lo por trás de sua armadura e insegurança. Acredito que os leitores vão gostar muito de acompanhá-la nessa jornada, Auria é muito superior à sua antiga versão que carregava um arco e flecha e vestidinho azul, só servia para se meter em encrencas (okay, até hoje ela se mete em encrencas kkkk). Ainda sim, é a personagem que mais amadureceu com o tempo!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Capítulo 3


Eram seis horas da manhã, e Ralph estava deitado no telhado recebendo os primeiros raios de sol para "aquecer o seu sangue frio" — como havia subido ali era um mistério. Seus pais geckos eram criaturas muito simples e que levavam a vida no campo, e por isso sempre tivera o costume de ajudá-los com os trabalhos que exigissem mais esforço logo cedo. Era um caçador nato nas primeiras horas do dia; aprendera a agir e movimentar-se como um crocodilo em busca de sua presa. Também adorava caçar insetos para sua coleção, um costume herdado dos vizinhos que se divertiam nas redondezas de sua terra natal. Era possível ouvir o estrondo fumacento dos navios cargueiros que transportavam todos os tipos de mercadoria à Ilha dos Geckos. Ralph deu um salto desajeitado do telhado e caiu com precisão no chão sem se machucar, assustando duas garotas que passavam por ali. Estava pronto para seu primeiro dia de aula.
A Vila das Pérolas era um porto tipicamente usado para transporte. O turismo havia sido abandonado há muito tempo depois que as pérolas perderam seu valor comercial, e por isso o povo que lá habitava buscava apenas trabalho ou estudos e aprimoramento.
A academia tinha história — primorosa e antiga —, e diziam que alguns grandes nomes saíram dali. Com um sino de prata na torre principal e oito prédios diferentes, cada um deles representava uma especialização: a espada e seus significados de honra e glória; o escudo defensivo; a lança e seu ataque frontal; o machado de corte mortal; a mana, força sobrenatural e todas as áreas do conhecimento; o arco e sua pontaria certeira, a flecha afiada; a agilidade constante junto da resistência e, por fim, a área dos que ainda não sabiam o que queriam fazer. Ralph gostaria de saber manusear todas as armas já utilizadas por um ser humano ou gecko. Notou que os outros alunos traziam mochilas, mas faltavam com equipamentos em sua maioria. Caminhava para o colégio como fizera durante os últimos anos de seu ensino básico, mas só trazia consigo sua espada de madeira, pensou que não precisaria mais de livros.
Todos têm um — pensou assustado, como se nunca tivesse visto nada parecido. Lembrava-se de quando sua estimada professora, senhorita Clover, dissera que os livros eram as armas mais poderosas que ele poderia ter em mãos. Só que até hoje não fazia ideia de como os usaria — de repente se os arremessasse com muita força...
Assim que chegou ao portão (onde sua cabeça ficara presa na noite passada), pôde ver perfeitamente toda a grandeza da academia de especialização de cursos, e dessa vez sem limitações. A partir daquele ponto estaria decidindo o tipo de treinamento que levaria para os próximos anos, se seria um guerreiro disposto a defender sua nação, ou talvez um estrategista, voltado para o lado das pesquisas e estudos antigos. Poderia aprender a manusear magia com esforço de sua mente, usaria sua espada para inspirar e liderar os demais, seria respeitado e temido. Ah, eram tantas opções!
Os veteranos riam e comentavam entre eles sobre o show que havia sido a festa na noite passada, já os novatos pareciam acabados antes mesmo de começarem. Enquanto uma nova fase se iniciava para alguns, para outros era apenas mais um dia comum.
Ralph adentrou o saguão e passou por corredores amplos, repletos de salas que eram preenchidas por alunos. Janelas de um estilo clássico medieval revelavam a idade do território, era como um castelo imponente do passado que fora adaptado para receber estudantes de todos os cantos do reino. Chegou perto de um balcão onde residia uma senhora de óculos coberta por papeladas. Ela entregava os devidos documentos para os novatos.
— Oi, moça — Ralph a chamou, o que era uma gentileza, pois a velha devia ter pelo menos uns mil anos. — Posso me inscrever?
— Dá para sentar e esperar como todos os outros? Você não é especial.
Ralph concordou e foi sentar-se. Por acordar cedo, seria um dos primeiros. Geckos odiavam esperar em filas, sentiam-se presos e quase que torturados. Cada minuto ali perdido era uma tremedeira em suas pernas, mas tinha de esperar como qualquer outro que seria recrutado naquele mês.
— Olá. Já decidiu o que vai fazer? — perguntou [ para o rapaz ao seu lado, puxando conversa só para não ficar parado.
Não faço ideia”, era uma resposta que recebia com frequência. Era interessante notar como na verdade todos aparentavam estar agoniados ou aflitos.
— Eu não queria estar aqui — repetiu assustado, uma gota de suor escorrendo pelo rosto —, gostaria de ser dispensado. Eu só queria ir embora.
Quando chegou a vez de Ralph, a feição de desânimo da secretária se intensificou por algum motivo.
— Bom dia. Seja bem vindo ao curso de escolha de classes. Qual área pretende prestar? — a atendente perguntou de forma automática, e logo respondendo como se já soubesse o que iria ouvir: — Se ainda não souber o que fazer, pode marcar todas.
— Eu sou Ralph, da Espada de Madeira!
A mulher ficou sem reação no momento, e as pessoas sentadas na banqueta da fila começaram a rir. Atender novatos confusos e cheios de dúvidas com as mesmas respostas há anos não era uma tarefa muito interessante, mas vez ou outra aparecia algum louco para diverti-la. A velha ajeitou os óculos na ponta do nariz e voltou a escrever.
— Eu perguntei a área que pretende seguir em seu ensino; se pretende tornar-se um espadachim, guerreiro, mago, arqueiro, defensor, alquimista, especialista, o que quer que exista nesse universo, não entendo nada mesmo... Já tenho seu nome escrito aqui embaixo, só não precisa me fazer passar por essa situação novamente.
— Ah, desculpa. Quero ser um soldado — respondeu Ralph, e sentia orgulho em dizer aquilo.
— Todos nós somos meros soldados. Todos nós servimos alguém. Seja mais específico.
— Um espadachim?
A mulher arrancou uma única folha do topo de sua pilha.
— É só preencher. Tenha um excelente dia.
Com o papel em mãos, foi até uma sala repleta de outros garotos que completavam o mesmo questionário em silêncio. Era visível o quanto aquele ambiente o incomodava. Ralph mantinha aquele ar perdido, louco pra fugir dali, a coçadinha na cabeça, as mãos, o olhar que nunca olha de fato. Tinha dificuldade em lidar com esse bombardeio de informações do mundo externo. Precisava apenas completar uma ficha básica de inscrição; pedia nome, origem, vocação, habilidades especiais, perícias e mais um monte de outras questões que nem soube dizer para que serviam. Um pouco de treino preparatório seria bom, mas aquilo era como uma punição. Eu não sabia que as coisas começariam tão difíceis, pensava consigo mesmo.
E sua primeira missão seria encontrar um lápis.
— Olá, caro companheiro de sala. Poderia emprestar-me esse objeto que você usa para escrever? — perguntou de maneira gentil.
— Tô usando. Não tá vendo?
Ralph fez um aceno com a cabeça e logo virou para o outro lado.
— Olá. Poderia emprestar-me qualquer coisa para que eu possa escrever minha ficha de inscrição?
— Se manca, garoto! Você veio aqui para se inscrever e não trouxe nem os documentos básicos para isso? Em que mundo vive?
— Existe mais de um? A ideia de que podem existir outros mundos e que nossa existência aqui não passa de algo insignificante dentro dos planos de uma entidade maior é realmente intrigante.
O outro sujeito virou a cara, e Ralph pensou se não era por aquele motivo que muitos geckos não se davam bem com humanos.
Esperou tanto tempo que a velha secretária que o observava de longe ficou desconfiada. Ela levantou-se de sua cadeira e bateu uma caneta na mesa do garoto. Ralph soltou um murmúrio de alegria e agradeceu o gesto.
— Muito obrigado, minha boa senhora! Que as entidades possam acompanhá-la em sua demanda atrás daquilo que procura. Seus desejos serão realizados, e um dia você ficará orgulhosa de ajudar o próximo!
— Preenche logo a ficha. Não tenho o dia todo.
Ralph mexeu-se contente em sua cadeira e olhou para o papel. Sua segunda missão era interpretar tudo aquilo. Segurou a caneta e começou a rabiscar. Ocasionalmente a secretária olhava de relance para ver o que ele fazia, uma vez que já se passara quase uma hora e o garoto ainda não saíra de lá. Quase cinquenta novatos tinham entrado e saído, e lá estava Ralph, pensando em respostas para perguntas básicas.
A secretária foi em sua direção e apoiou-se na mesa.
— Está tendo dificuldades — afirmou. Era óbvio que estava.
— Olha só o meu desenho, não é legal?
— Muito interessante. — Estava pouco interessada, mesmo que os dragões que ali estavam fossem realmente bem legais. — Agora me diga, está tendo dificuldades para preencher o que?
Ralph olhou para o papel de inscrição que estava todo desenhado. “Tudo”, talvez fosse a resposta. Cenas de batalhas enfeitavam os cantos, enquanto lagartos voadores cuspiam fogo contra as palavras. Era uma cena criativa, de fato o menino levava jeito nos rabiscos e nas ideias.
Ralph forçou a visão para enxergar o nome da secretária em um crachá.
— Dona Lurdinha, a senhora conhece os guerreiros que enfrentaram Drozord, o Dragão do Abismo, e saíram vivos? Eles são os Grandes Generais que lideraram suas raças durante a primeira guerra: Canas, o Descobridor do Mundo; Defesa, a Muralha Impenetrável; e o gecko mais poderoso que já pisou nesta terra, Tokay, Asa Negra.
A velha passou a mão em seus cabelos a ponto de arrancá-los. Os demais alunos na sala davam risadas baixinhas, mas Ralph nem as ouviu ou então preferiu ignorar. Antes que alguém perdesse o controle, surgiu um sinal de inteligência.
— Ah, e sim, estou com dúvida em algo. Veja, aqui está dizendo...— pronunciou, parecendo ter claros problemas com as palavras. — Qual a sua raça? Quero dizer, a minha, não a sua. E há quatro opções a serem marcadas, pedindo para que eu assinale apenas uma.
A secretária olhou para o jovem numa clara expressão debochada.
— Você está falando sério?
— Sim, sim. O que devo assinar?
— H-u-m-a-n-o — respondeu de forma ameaçadoramente cruel.
— Mas eu não sou humano — Ralph respondeu de forma breve, quase ofendido, fazendo os demais agora rirem tão alto a ponto da velha senhora bater na mesa e mandar todos calarem a boca.
Ralph continuou:
— Sou meio-humano e meio-gecko — corrigiu. — Puxa vida, quem diria que logo no primeiro teste vocês passariam umas questões tão difíceis?
Dona Lurdinha notou que aquela situação era pior do que aparentava.
Imediatamente enviou Ralph para uma sala que estava vazia, fazia um bom tempo que não lidavam com uma situação como aquela e, por isso, teriam de rever o assunto com as autoridades.
Sobre a mesa estava um pequeno orbe azulado, do tamanho de uma bola de beisebol. Aquela era uma Esfera de Comunicação, o meio de contato mais rápido do reino. Eram itens extremamente raros e caros, quando duas pessoas tinham seu próprio orbe e os encostava um no outro, eles se conectavam através de eletromagnetismo e podiam manter contato através de sons e imagens. A mulher tocou o orbe e esperou a resposta de seus superiores. Ralph só a olhava de longe, imaginando se já fora aceito como um dos melhores.
— Aqui é da Vila das Pérolas, estação de Century número 220-64-3. Temos um pequeno problema... Um novato. Não, não tem o porte físico necessário e nem conhecimento para completar nosso fichamento. Parece que não sabe ler e nem escrever muito bem... — dizia a mulher, logo abaixando o tom de voz quando viu que Ralph a observava. — E também recebeu educação de... geckos.
A última palavra soou como um espirro. Algo não estava certo.
A resposta logo veio. A atendente soltou a mão do orbe e a imagem se desfez. Voltou a atenção para o rapaz novamente e falou:
— Venha comigo.
— O que vamos fazer, dona Lurdinha? Nós vamos começar a treinar juntos? Você será a minha mestra-oficial? A minha treinadora? A capitã de meu batalhão?
— Nada disso — a atendente sentou-se em sua cadeira de forma confortável e com um sorriso de orelha a orelha, como se cantasse a vitória por uma luta vencida. Ela carimbou a ficha desenhada de Ralph e entregou-a para ele como uma carta de alforria. — Você acaba de ser dispensado. Obrigada por vir até aqui, Ralph Token. Reúna seus pertences e pegue o próximo trem de volta à Helvetica. O Reino de Sellure agradece a sua participação — e dessa vez ela fez questão de encher a boca ao frisar: — Tenha um excelente dia.
Ralph ficou completamente desolado, não sabia qual reação tomar. Viu aquela velha detestável em sua frente carimbar um papel de dispensa e mandá-lo embora, mandá-lo para o caminho oposto de seu sonho, para uma viagem de trem de volta à sua cidade onde seus pais adotivos aguardavam orgulhosos o seu regresso como uma figura importante e influente, ou ao menos feliz e sucedida, alguém que venceu na vida. Viram partir um menino e esperavam retornar um grande homem. Agora, voltaria como um fracassado.
— Mas que... ódio! Amaldiçoados sejam os papéis carimbados e assinaturas! — Ralph contestou, levantando-se da mesa e sentindo um ódio profundo daquele lugar. Queria bater os pés com força no chão, quem o ouvia do corredor até se assustava. A velha continuava quieta. — Droga, droga, droga! Por que fez isso comigo, dona Lurdinha?
— Está jogando a culpa em mim? Só estou fazendo meu trabalho, garoto.
— Mas é injusto!
— Se quiser discutir sobre justiça, está no lugar errado.
— Por todas as entidades divinas de Sellure, o que eu vou fazer agora?
— Por que não vai embora e me deixa em paz?
Muitas palavras estavam presas em sua garganta. O garoto fechou a porta com força ao sair, ficou encarando seu documento de dispensa do lado de fora, mas não se deixou abalar. Quando estava prestes a sair, voltou para a sala da secretária e bateu na porta.
— Dá licença, dona Lurdinha.
— Ainda está aqui? — ela riu.
— Sim. Sei que a senhora não tem nada a ver com essa decisão, então me desculpe por ter descontado minha raiva em você. Minha mãe me ensinou a abraçar as pessoas quando fico feliz, confuso, ou até mesmo com raiva — ele foi até ela, deu-lhe um abraço rápido e voltou para perto da porta —, então desejo a você um bom dia, e saiba que não desistirei dos meus sonhos.
A secretária estava boquiaberta. Quando Ralph deixou o lugar, ela lentamente guardou o lápis e observou aquela curiosa figura que lhe arrancara da rotina. Não pôde esconder um sorriso de relance e nem a sensação tão estranha em seu peito.
— Tenha um bom dia você também — ela murmurou antes de retornar ao trabalho.
Ralph saiu do prédio principal da academia com o papel de dispensa em mãos. As pessoas o observavam pasmas. Como queriam ter tido aquela sorte! Enquanto os jovens de sua idade esperavam ser dispensados do exército e da guerra longe de seus amigos e familiares, tudo que Ralph desejava era o oposto. Apesar de seu sonho ter sido aparentemente destruído, amassou o papel e jogou-o numa lata de lixo — o que teria causado um sério alarme caso um instrutor o visse cometendo tal crime. Nenhuma força externa poderia modificar o que estava dentro de seu coração.


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